Downsizing

Por Camila Conceição Faria
A princípio, podemos afirmar que o termo downsizing é usado na administração para designar um processo de reestruturação organizacional baseado na redução dos níveis hierárquicos de uma empresa.

Surgido a partir da década de 70 nos Estados Unidos, o downsizing inicialmente veio como uma resposta à busca por maior competitividade por parte das empresas americanas, as quais se viram obrigadas a reduzir custos e, principalmente, a reduzir a burocracia e a demora no processo de tomada de decisão inerente ao modelo gerencial aplicado até então. O que se via nas empresas americanas era o cultivo de uma enorme e ultrapassada estrutura hierárquica que já não respondia adequadamente as exigências do mercado que, a cada dia, era mais e mais pressionado pela entrada das empresas japonesas e coreanas, que impunham um novo ritmo de competição.

Com o cenário econômico cada vez mais competitivo, as empresas se viram obrigadas a se reestruturar para se adequarem as novas necessidades e, com isso, diversas técnicas foram desenvolvidas para tentar responder a essas mudanças, entre elas o downsizing.

A técnica do downsizing passou a ser aplicada em larga escala pelas empresas americanas a partir de 79 quando milhares de executivos perderam seus cargos e se acreditava que em 20 anos as empresas teriam metade do seu quadro gerencial reduzido (Ribeiro et. al, 2009). Com isso o downsizing passou a ser mal visto pela classe trabalhadora e a levantar questionamentos sobre a sua eficácia no meio acadêmico.

Tomasko (1992, apud Mendonça e Vieira, 1999) nos mostra que os aspectos negativos e os impactos da aplicação da técnica de downsizing também devem ser observados e ressalta ainda, a necessidade de uma visão mais abrangente por parte da empresa, para que esta mantenha o foco não apenas na redução de pessoal, mas também em uma revisão de sua estrutura e na necessidade de uma administração mais racional por parte dos gerentes.

A partir desta abordagem mais ampla do downsizing, Cameron et. al (1995, apud Mendonça e Vieira, 1999) apresentam três tipos de estratégias que podem ser desenvolvidas para sua aplicação:

  • Redução na força de trabalho - foco na redução de pessoal e com período de implantação de curto prazo;
  • Redesenho organizacional - busca uma redução do próprio trabalho, ou seja, uma reorganização das funções, eliminação de níveis hierárquicos e etc., sendo esta uma estratégia de médio prazo que busca não apenas reduzir pessoal, mas repensar as funções existentes na empresa;
  • Sistêmica - seu foco é a mudança da cultura, atitudes e valores dentro da empresa, fazendo do downsizing não apenas uma meta, mas um modo de pensar; esta estratégia requer um período de implementação de longo prazo.

Para concluir, Ribeiro et. al (2009) observam uma gradual substituição do termo downsizing por outros menos estigmatizados, relatando uma preocupação das empresas de se afastar daquela visão inicial de “corte de pessoas”. Entre os ditos "novos" conceitos estão: rightsizing, que consiste na otimização da estrutura organizacional; reestruturação; e retrenchment, ou redução da estrutura organizacional para o salvamento de ativos financeiros.

Fonte:

MENDONÇA, J. R. C. de; VIEIRA, M. N. F.. Fundamentos para Análise do Downsizing como Estratégia de Mudança Organizacional. Disponível em: http://read.adm.ufrgs.br/edicoes/pdf/artigo_161.pdf. Acesso em: 19/08/2010.

RIBEIRO, V. C., et. al. Revisitando o Downsizing: um estudo comparativo entre Brasil e Estados Unidos. Disponível em: http://www.ead.fea.usp.br/semead/12semead/resultado/trabalhosPDF/632.pdf. Acesso em: 19/08/2010.