Pensamento estratégico

Análise e Desenvolvimento de Sistemas (Universidade Nove de Julho, 2008)
MBA em Gestão Empresarial (Universidade Nove de Julho, 2010)

Pensar estrategicamente corresponde a criar meios que permitam a descoberta de alternativas com considerável grau de efetividade para o alcance de um objetivo ou a resolução de um problema em lugar de recorrer a escolhas “prontas”, disponíveis à primeira vista, ou seja, compreende encontrar caminhos com maiores chances de conduzir a resultados satisfatórios em relação às opções evidentes, geralmente representadas por obviedades desprovidas de percepções que presumam boa parte das necessidades, dificuldades, problemas ou riscos que podem surgir ao se enfrentar um desafio de qualquer natureza. Algum déjà vu remetendo à palavra inovação?

A máxima atribuída a um apresentador de televisão dos anos 1980 – na verdade uma paródia de algo muito mais abrangente, significativo, de que, no fundo, as coisas não passam de cópias umas das outras 1, proferida na intenção de destacar o caráter estéril e ainda evidente das propostas de entretenimento em seu meio de trabalho, num contexto geral, tem cada vez menos lugar num mundo de competitividade voraz.

Na realidade ninguém está tão disposto a manter um ciclo de reincidências, aderindo ao cômodo – e arriscado – impulso de oferecer um pouco mais do mesmo. A intuição mais adequada – desta vez mencionando a fonte de inspiração para a alegoria citada antes – e apropriadamente holística, pois acomoda precisamente o referido quadro de concorrência inclemente dos últimos dias, ocorreu há muito mais tempo ao cientista francês e também considerado um expoente da Química moderna, Antoine Lavoisier, ao afirmar que na verdade fazemos parte de um sistema regido por transformações evolutivas destinadas a estabelecer uma nova circunstância ou realidade, ainda que tais mudanças tenham como propulsor algo já visto ou conhecido 2.

Al grano 3, como diriam os espanhóis, o pensamento estratégico, de maneira oposta ao que sugere o raciocínio convencional baseado em concepções rígidas e procedimentos formulados de acordo com panoramas estáticos do mercado, tem como propósito fundamental criar condições de resposta o mais eficaz possível aos reflexos cotidianos assimilados pela empresa de acordo com sua visão de longo prazo, em se tratando de um cenário de atuação marcado por metamorfoses incessantes como o da atualidade. Aqui entra – ou pelos menos deveria entrar em alguns casos – a ideia ou capacidade de adaptação e reação aludida nos primeiros parágrafos.

Nesse sentido, a responsabilidade passa a se concentrar basicamente nos esforços que devem ser empreendidos na busca pela melhor solução, a partir de uma combinação entre a análise racional dos fatos, advinda da interpretação dos eventos com poder de influência sobre os interesses organizacionais, e certa medida de improviso no melhor sentido da palavra. Isso porque o pensamento estratégico, na prática, demanda o rompimento ou a insatisfação com o que está acessível apenas visualmente, exigindo o incremento do que se vê com o que se pode extrair da imaginação, criatividade ou até mesmo da intuição para garantir a sustentabilidade do negócio.

Por fim, podemos acrescentar que o pensamento estratégico é o que permite a elaboração dos meios necessário ao alcance das metas segundo o que foi planejado e conforme os recursos disponíveis, pois o desenvolvimento de uma estratégia visa estabelecer os focos de atuação sob a perspectiva dos objetivos futuros, promovendo o exame cuidadoso das vantagens e desvantagens de cada linha de abordagem.

No entanto, é importante atentar ao fato de que, ante a conjuntura que serve como pano de fundo para o que foi exposto, ou seja, o estado de competitividade acentuada dos mercados em geral, mesmo que bem definido, nenhum planejamento pode se considerar definitivo, posto que assim como são dinâmicos os fenômenos que orientam ou influenciam os interesses da empresa, do mesmo feitio devem ser seus modelos de ação visando ampliar seus horizontes.

1 “Nada se cria, tudo se copia.” – José Abelardo Barbosa de Medeiros (1917-1988), o Chacrinha, célebre apresentador de televisão.

2 “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” – Antoine Lavoisier (1743-1794), importante cientista francês.

3 Expressão em espanhol que significa “entrar no assunto”.

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