Toyotismo

Pode-se caracterizar o Toyotismo, resumidamente, como um método de produção japonês, sustentado pelos princípios da “autonomação” e do “Just In Time”, com orientação da produção por demanda (ou seja, só é produzido a quantidade exata requisitada pela procura) e flexibilização do trabalho e da mão-de-obra.

O Toyotismo pode ser entendido como um modelo de produção, também conhecido como Modelo Toyota de Produção. Uma de suas principais características é a “auto-ativação” ou “autonomação” (Jidoka), que implica na utilização de um mecanismo inserido nas máquinas, capazes de fazer com que elas parassem em caso de alguma falha na produção. Esse mecanismo foi criado por Sakichi Toyoda e pode ser considerado um dos primeiros dispositivos Poka-yoke (mecanismo à prova de erros, com 100% de inspeção e detecção de irregularidades na execução da operação). Toyoda havia desenvolvido esse mecanismo para teares e ajudar sua mãe e milhares de outros trabalhadores em 1892. Foi só em 1937 que foi fundada a Toyota Motors Company e passou a produzir carros.

Nos anos 50, Taiichi Ohno, então diretor da empresa e Sakichi Toyoda, em visita aos Estados Unidos, perceberam um grande problema nos modelos Fordista e Taylorista: o desperdício de recursos. Assim, Ohno ampliou o conceito do mecanismo criado por Toyoda e desenvolveu toda uma cultura e práticas que visavam não só eliminar tudo o que não agregasse valor ao produto, mas também produzi-lo com qualidade, entendendo a qualidade como uma produção com zero defeito.

Outra grande diferença entre os sistemas Taylorista e Fordista de produção (ambos pertencentes da Escola Clássica da Administração), é a forma de entender e lidar com os colaboradores. Se no nos sistemas americanos, a mão-de-obra era super especializada em uma única tarefa e sem ser demandado pensar (esta era uma tarefa da gerência), no sistema japonês da Toyota era diferente. Nele, dos trabalhadores era demandada uma “especialização flexível”. Eles precisavam estar aptos para trabalhar em grupos na produção, reparo, controle de qualidade e programação. Assim, a “autonomação” podia ser observada não só no maquinário, mas ainda no que diz respeito ao trabalho humano. O trabalhador tinha autonomia para parar o processo de produção caso fosse detectado alguma anomalia e providenciar os devidos reparos, evitando defeitos e/ou refugos. Além disso, a empresa trabalhava com uma produção flexível que sofria ajustes frequentes de acordo com a quantidade de produtos solicitada pelos clientes. Com treinamento, os trabalhadores estavam prontos para fazerem essas adaptações sempre que o momento pedisse, sem a necessidade de um especialista ou algum gerente. Os próprios funcionários eram orientados a fazer o trabalho corretamente logo da primeira vez, evitando, dessa forma, o retrabalho e o desperdício de materiais. Isso fazia com que fosse desnecessário o papel de inspetores de qualidade.

No entanto, não se pode dizer que o Toyotismo seja necessariamente bom para o trabalhador. Primeiro, porque trabalha com o mínimo de trabalhadores possível e ampliando o quadro através de temporários. Segundo, porque como esse sistema visa evitar o desperdício, o lucro do trabalho vivo é extraído ao máximo. Finalmente, o sistema promove uma forte concorrência entre os trabalhadores.

Outra característica importante do Sistema Toyota de Produção é o método “Just In Time” (ou “bem na hora” ou “na hora exata” em tradução livre do inglês). Ele implica em um processo de fluxo contínuo em que as partes necessárias à produção chegam na quantidade e no momento exato em que são requisitadas. Esse método teve seus benefícios na linha de produção consideravelmente ampliados com a utilização de cartões que controlavam o fluxo da produção, conhecidos por Kanban.

Como pode ser visto, o Sistema Toyota de Produção quebra o paradigma da produção em massa, desenvolvida por Ford, típica da grande indústria com seus excessos, e traz a racionalidade e economia para o processo de produção. Além disso, seu desenvolvimento fez surgir uma série de métodos que contribuíra e contribuem para a indústria até os dias de hoje.

Referências bibliográficas:

ANDRADE, Rui Otávio Bernardes de; AMBONI, Nério. Teoria Geral da Administração: Das origens às perspectivas contemporâneas. São Paulo. 2007.

MAXIMIANO, Amaru. Teoria Geral da Administração. Atlas, 2012.