Arte Glitch

Por Fernando Rebouças
A arte glitch é uma modalidade de criação artística que explora as falhas no sistema de uma plataforma digital para expressão estética e sonora. Essa arte utiliza os bugs e os defeitos tecnológicos como ponto inicial e num processo imprevisível de criação. A arte glitch tem se perpetuado com maior facilidade em áreas como a fotografia e a música.

Um dos exemplos recentes, o vídeo musical “Welcome to the heartbreak”, foi lançado por Kanye West em 2010. Outro exemplo de clipe musical é o da música “Round and round”, da banda Ariel Pink’s Haunted Graffiti, com direção de Wayne Coyne. Nesse segundo exemplo, Coyne utilizou seu próprio iPhone para gerar imagens com a plástica de erro de sintonia.

A expansão do uso da arte glitch, em português a “arte da falha”, nos remete ao modo como os punks enfrentavam a música estéril e inofensiva nos anos 1970. No dias atuais, por meio do glitch, artistas buscam um novo conceito contra a pureza do universo digital já tomado por perfeccionismo visual e tecnológico.

O conceito glitch (originalmente significa falha técnica) se opõe à alta definição de telas widescreen de televisores, monitores e tablets, e ao retoque alcançado em softwares de imagens como o Photoshop.

Analistas artísticos se arriscam a afirmar que o primeiro a utilizar o termo “glitch” foi o astronauta John Glenn, o primeiro norte-americano e viajar pela órbita da Terra em 1962. Porém, nos anos 1990, além de definir o significado de falha técnica, o termo “glitch” passou a designar a criação de música e vídeos com elementos eletrônicos experimentais.

Essa arte se tornaria mais popular a partir dos anos 2000, a partir da popularização dos computadores, dos notebooks, dos celulares e da banda larga, ou seja, a proximidade com a tecnologia digital ampliou a criação e a visa dessa arte. Uma arte que busca subverter os limites do audiovisual a partir da repetição de alteração em seus códigos fontes.

O processo de alteração pode ser feito pela abertura de uma imagem num editor de textos, embaralhando o código dessa imagem e depois reabri-la num editor de imagem, também utilizando programas on-line como o Glitch Machine para alteração musical e o Decim8 para fotografia.

O resultado é a destituição da estética perfeita, colocando seu sentido sobre um caos visual, rejeitando regras e enquadramentos pré-estabelecidos. Além de estilo artístico para definir uma música eletrônica ou obra audiovisual, o termo ainda é utilizado como um quase “bug” no uso eletrônico de equipamentos.

Veja o vídeo “Welcome to the heartbreak”: http://www.youtube.com/watch?v=wMH0e8kIZtE

Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Glitch
http://en.wikipedia.org/wiki/Glitch_(music)
Jornal O Globo, Segundo Caderno, 9 de setembro de 2012.