Arte Participante e Arte Dirigida
A arte é uma manifestação do ‘eu’ interior de cada ser humano. O homem não é uma máquina, mas alguém que pensa, sente, está impregnado de valores morais, sócio-culturais e possui, conseqüentemente, uma ideologia. Portanto, ao expressar-se através de uma obra de arte, está transmitindo ao receptor toda uma carga cultural.
O que podemos concluir daí é que a arte está sempre a serviço de uma ideologia, pois é produto da ação humana, portanto ela está ao menos sutilmente permeada por valores políticos. Muitos escritores, pintores, cineastas, músicos, dramaturgos, partiram conscientemente da arte engajada. Alguns foram rotulados de malditos, loucos, anarquistas, entre outros tantos juízos de valor. Outros foram perseguidos por regimes totalitários, de direita e de esquerda, ou mais discretamente sob governos democráticos.
Esta é a Arte Participante, na qual os artistas ocupam sempre uma posição de vanguarda, envolvidos constantemente nos movimentos de renovação social e política, bem como nas transformações de natureza cultural. Nosso país experimentou, recentemente, no período conhecido como Ditadura Militar, um fenômeno dessa magnitude.
Oprimidos pela censura e pelos órgãos de repressão ligados ao governo dos militares, os artistas reagiram com criatividade e rebeldia, como o cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda, que compunha letras metafóricas, transmitindo suas mensagens políticas subliminarmente. A mídia também agia da mesma forma, publicando receitas de bolo nos espaços que seriam ocupados por artigos censurados.
Mas, infelizmente, esta arte pode ser podada pelo poder, tanto o estatal, quanto o religioso. Na União Soviética, em pleno regime stalinista, foi instituído o Realismo Socialista, uma modalidade artística completamente submetida ao poder. Quem não atuasse segundo esta cartilha doutrinária, seria preso e, muitas vezes, perseguido e exterminado, acusado de traidor do governo comunista. Este é um exemplo de Arte Dirigida, embora nem sempre ela se manifeste sob condições tão radicais quanto esta.
A mesma atitude castradora tem também sua versão religiosa, até os nossos dias, mas seu exemplo maior e mais drástico ocorreu durante a Idade Média, no seio da Igreja Católica, que criou, para reprimir os que a contestavam ou simplesmente se manifestavam de forma alternativa, o Tribunal da Santa Inquisição. Este órgão eliminou milhares de pessoas, através das Cruzadas, de torturas e suplícios inimagináveis, e nas chamas das fogueiras, diante de uma multidão em êxtase.
Atualmente, este viés repressor religioso persiste, tanto em países muçulmanos, como se constata pela perseguição ao escritor Salman Rushdie, que teve a coragem de criticar alguns preceitos islâmicos; quanto na cultura ocidental católica, que há alguns anos tentou impedir a exibição do filme Je Vous Salue Marie, de Godard.
O que podemos concluir daí é que a arte está sempre a serviço de uma ideologia, pois é produto da ação humana, portanto ela está ao menos sutilmente permeada por valores políticos. Muitos escritores, pintores, cineastas, músicos, dramaturgos, partiram conscientemente da arte engajada. Alguns foram rotulados de malditos, loucos, anarquistas, entre outros tantos juízos de valor. Outros foram perseguidos por regimes totalitários, de direita e de esquerda, ou mais discretamente sob governos democráticos.
Esta é a Arte Participante, na qual os artistas ocupam sempre uma posição de vanguarda, envolvidos constantemente nos movimentos de renovação social e política, bem como nas transformações de natureza cultural. Nosso país experimentou, recentemente, no período conhecido como Ditadura Militar, um fenômeno dessa magnitude.
Oprimidos pela censura e pelos órgãos de repressão ligados ao governo dos militares, os artistas reagiram com criatividade e rebeldia, como o cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda, que compunha letras metafóricas, transmitindo suas mensagens políticas subliminarmente. A mídia também agia da mesma forma, publicando receitas de bolo nos espaços que seriam ocupados por artigos censurados.
Mas, infelizmente, esta arte pode ser podada pelo poder, tanto o estatal, quanto o religioso. Na União Soviética, em pleno regime stalinista, foi instituído o Realismo Socialista, uma modalidade artística completamente submetida ao poder. Quem não atuasse segundo esta cartilha doutrinária, seria preso e, muitas vezes, perseguido e exterminado, acusado de traidor do governo comunista. Este é um exemplo de Arte Dirigida, embora nem sempre ela se manifeste sob condições tão radicais quanto esta.
A mesma atitude castradora tem também sua versão religiosa, até os nossos dias, mas seu exemplo maior e mais drástico ocorreu durante a Idade Média, no seio da Igreja Católica, que criou, para reprimir os que a contestavam ou simplesmente se manifestavam de forma alternativa, o Tribunal da Santa Inquisição. Este órgão eliminou milhares de pessoas, através das Cruzadas, de torturas e suplícios inimagináveis, e nas chamas das fogueiras, diante de uma multidão em êxtase.
Atualmente, este viés repressor religioso persiste, tanto em países muçulmanos, como se constata pela perseguição ao escritor Salman Rushdie, que teve a coragem de criticar alguns preceitos islâmicos; quanto na cultura ocidental católica, que há alguns anos tentou impedir a exibição do filme Je Vous Salue Marie, de Godard.
| Autores: Ana Lucia Santana Categorias: Artes | |
![]() | Data: 07/08/2008 |



