Dança do Ventre

A Dança do Ventre, até onde se sabe, remonta a tempos ancestrais. Há registros em cavernas de mulheres dançando com o ventre à mostra, enquanto os homens dançavam para obter favores da Natureza, como chuva e caça. Esta coreografia, portanto, é a dança feminina mais antiga de que se tem notícia. Ela pertence à era do Matriarcado, provavelmente adotada em rituais sagrados ligados ao culto da Deusa-Mãe, e destinada exclusivamente às mulheres.

Dança do ventre. Foto:  Dm_Cherry / Shutterstock.com

Dança do ventre. Foto: Dm_Cherry / Shutterstock.com

Há polêmicas ainda sobre o nascimento desta dança, que em sua expressão primordial era bem diferente da que hoje nós conhecemos. Sua jornada pelo tempo-espaço parece incluir passagens pelo Antigo Egito, Babilônia, Síria, Índia, Suméria, Pérsia e Grécia. Seus movimentos simulavam as contrações do parto, treinando assim as mulheres para se tornarem mães, e ao mesmo tempo atenuando as dores da menstruação. Havia também outra finalidade, a de reverenciar a Deusa Maior, a Natureza, para assim estimular sua fertilidade, e conseqüentemente a obtenção do sustento provindo do seio da terra.

Dizem alguns estudiosos que os ciganos seriam os responsáveis pela disseminação deste conhecimento milenar. Nômades, eles teriam levado na bagagem este dom artístico, aos poucos mesclado a outras culturas e por elas inspirado, assumindo cada vez mais as características atuais, principalmente em seu contato com o Ocidente. Sua transição pelo Egito não ficou registrada pelos papiros originários da Antiguidade, embora suas acrobacias abdominais fossem comuns no período antigo, com o objetivo já conhecido de preparar as mulheres para o parto. É provável também que, na terra do Nilo, esta dança fosse dedicada à deusa Ísis, com o objetivo de atrair fartura e abundância.

Quando o Antigo Egito foi dominado pelos mouros, durante a era medieval, a Dança do Ventre foi absorvida pelos árabes e tornou-se tradicional em sua cultura. A forma mais conhecida desta dança, atualmente, é proveniente do Oriente Médio e do Norte da África, não em seu estado puro, mas marcada por contribuições do mundo ocidental, como os véus e a meia-ponta. As mulheres se apresentam com lantejoulas e franjas, e a dança despiu-se de seu aspecto ritual e transformou-se em diversão pública.

Dos ciganos que contribuíram para sua chegada ao Ocidente, os Gawazee e os Ouled Nail foram os que legaram vários dos movimentos hoje incorporados à moderna Dança do Ventre. Dos primeiros vieram as incessantes oscilações dos quadris, e do outro povo o mundo ocidental herdou o ato de rolar os músculos do abdômen, que iniciam a girar lentamente e aos poucos vão aumentando a velocidade, somados aos deslocamentos dos pés, dos quadris, dos braços e dos ombros.

Quando o Ocidente entrou em contato com esta dança, as mulheres que as dançavam logo procuraram adaptar o estilo desta dança, seu figurino e os locais de apresentação às preferências dos povos ocidentais. Algumas delas, influenciadas pelo balé clássico e contemporâneo, absorveram algo de seu estilo e realizaram pequenas modificações nas vestes, como braços sensíveis, meia-ponta com pés, entre outras. Assim, esta dança torna-se parte da cultura de massa e está pronta para atingir o grande público. Em países do Oriente Médio e da África, porém, ela ainda preserva seu aspecto sagrado e seus objetivos terapêuticos, visando proporcionar às mulheres um bom parto e um estreito contato com o Divino.

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