Graffiti

Por Ana Lucia Santana
A prática do Grafite ou Graffiti – que provém do latim "graffiti" e do grego ‘graphein’ – remonta aos tempos do Império Romano, quando já se encontravam marcas gravadas em paredes. Estes caracteres impressos em locais não definidos para esse fim, particularmente nos espaços públicos, normalmente sob a forma de caligrafias ou de imagens pintadas ou esculpidas, constituem os grafites.

No fim da década de 60 e início dos anos 70 esta técnica ganhou dimensões nunca antes imaginadas, realizada de forma oculta, e então considerada como uma atitude transgressora. Por meio desta prática era possível transmitir mensagens cifradas aos membros de um determinado grupo. As gangues nova-iorquinas adotaram esta modalidade interativa para se comunicarem clandestinamente, por meio de inscrições em muros e nos bens urbanos. Para esse fim eles esboçavam nestes espaços monogramas monocromáticos ou até mesmo produções mais complexas.

Alguns estudiosos acreditam que o graffiti é uma arte por imprimir em suas informações secretas, mesmo inconscientemente, símbolos e configurações estéticas nascidos do estabelecimento de sinais ocultos no interior de um grupo, mas que transcendem cronologicamente a própria comunidade que os criou. Além disso, o graffiti é mais uma expressão dos movimentos culturais que florescem nas ruas, os quais também incluem o hip-hop e o rap na esfera musical, e o breakdance na dança.

Até hoje esta discussão provoca controvérsias. Será o graffiti apenas um ato contraventor ou uma modalidade artística? Durante um longo tempo esta técnica permaneceu à margem da arte, vista apenas como algo ilegítimo, sendo assim confundida com a pichação. Hoje, porém, esta concepção vem se transformando. Alguns de seus praticantes, provindos do universo da street art ou arte urbana, são agora considerados interventores do espaço urbano, canalizando o potencial destas áreas abertas para transmitir uma linguagem artística intencional. Embora algumas pessoas ainda considerem estes artífices como simples pichadores.

Alguns famosos grafiteiros realmente iniciaram suas trajetórias artísticas como pichadores, é o caso de Osgêmeos – irmãos gêmeos paulistas que se tornaram célebres por seus grafites -, por exemplo, que já colecionam trabalhos notórios como o empreendido na fachada da Tate Modern, de Londres. O graffiti é geralmente mais elaborado do que a pichação.

A técnica do graffiti se disseminou pelo Planeta a partir de maio de 1968, durante os movimentos contraculturais que abalaram o mundo, principalmente Paris. Nesta época, a utilização de paredes para a gravação de mensagens de natureza política e artística foi fundamental para os movimentos insurrecionistas. A partir daí esta forma de arte interativa foi se espalhando pelo Ocidente, fixando-se no âmbito das culturas e experiências mais variadas, adquirindo aos poucos o estatuto artístico que a distinguiria de técnicas contraventoras. Hoje o graffiti atravessou o limiar das galerias de arte, deixando de ser uma prática restrita apenas às ruas das cidades.

Um dos mais famosos grafiteiros, hoje artista renomado, é Jean-Michel Basquiat, que no fim da década de 70 despertou o interesse da mídia de Nova York ao inscrever discursos poéticos em muros de prédios desertos de Manhattan. Pouco tempo depois a obra deste pintor foi definida como neo-expressionista, e ele conquistou notoriedade nunca antes concedida a um grafiteiro, como um dos artistas mais importantes de fins do século XX.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Grafite_(arte)
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=1551