Kabuki

O Kabuki é a arte teatral japonesa que se distingue por sua famosa estilização dramática e pela maquiagem produzida de que se valem os atores nesta modalidade. Os cílios, a boca, em torno dos olhos, estes pontos são destacados pela maquiage, e nesta tarefa as cores utilizadas expressam simbolicamente a personalidade de cada personagem.

As roupas também contribuem para compor o ator desta convenção teatral. Tudo tende para o absurdo, o que cria uma aura mais sedutora. As características principais do Kabuki são as visuais; elas têm como objetivo mobilizar o olhar da platéia, esgotando assim todos os recursos à sua disposição. Assim, a mímica, os deslocamentos espaciais ritmados, as atitudes corporais que traduzem a harmonia entre energia e beleza, associam-se aos elementos estéticos que revestem os atores para melhor expressar o ‘Mie’, postura do ator no palco, ora empreendida por um único ator, ora coletivamente, que traduz as emoções necessárias dentro de um determinado contexto. Esta pose, por mais transcendental e burlesca que seja, é a essência deste teatro.

O nascimento desta forma teatral remonta ao começo do século XVII, quando era comum se imitar grotescamente a temática sagrada com audazes coreografias sensuais. Em 1629 o Kabuki foi censurado pelo Estado, assim ele passou a ser representado por homens travestidos de mulheres. Anteriormente eram elas que desempenhavam igualmente os papéis masculinos. À medida que o governo concluiu que a platéia só ia ao teatro para ver as atrizes bonitas, por seu foco na sensualidade, criou-se a modalidade conhecida como Wakashu-kabiki, integrada apenas por jovens do sexo masculino.

O Kabuki atravessou pelo menos quatro séculos de história, rompendo com padrões e tabus estabelecidos pela aristocracia japonesa. Sua trajetória teve início em 1603, quando Okuni, uma jovem serva do santuário xintoísta Izumo, comumente conhecida como ‘miko’, interpretou uma nova espécie de coreografia dramática na cidade de Kyoto. Nesta primeira fase, a onna kabuki, as mulheres eram preponderantes, atuando tanto na esfera do feminino quanto na do masculino. Sua pioneira, devido ao sucesso do gênero, teve a oportunidade de atuar diante da Corte Imperial. Algumas das atrizes eram geishas ou gueixas - diletas na arte de seduzir, mas não prostitutas, pois seu limite era o flerte -, podendo servir os membros do público que tivessem recursos para pagá-las.

O período seguinte é o do Genroku, que se desenrola de 1673 a 1735. O Kabuki se desenvolve nesta era, suas características se consolidam; ele se vincula ao ningyô jôruri, modalidade de teatro de bonecos posteriormente batizado como bunraku, inspirando-se ambos mutuamente desde então. Nesta mesma época, Ichikawa Danjuro nono incrementou as técnicas da maquiagem conhecida como kumadori, que imita máscaras, e também as atitudes corporais ‘mie’.

Hoje o teatro Kabuki converteu-se em um estilo popular que mescla realismo e formalismo, música e coreografia, mímica, representação e figurino, buscando sempre a interação entre os atores e o público. O Kabuki sobrevive há pelo menos 400 anos, sendo transmitido de geração em geração como um legado familiar incessante, sem rupturas. Os temas são normalmente extraídos do cotidiano das pessoas comuns e algumas vezes da existência dos próprios aristocratas. Sua etapa de maturação ocorreu no final do século XIX, quando o Kabuki consolidou definitivamente suas características atuais.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Kabuki
http://www.culturajaponesa.com.br/htm/kabuki.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gueixa

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