Urban Trash Art

Pegar entulho pelas ruas e fazer esculturas: essa foi a ideia de Rodrigo e Padô, artistas plásticos paulistanos que fazem o lixo da cidade de São Paulo virar URBAN TRASH ART

“A gente pega lixo nas ruas, em caçamba, no meio do entulho, sofá velho, restos de material cenográfico e transforma em esculturas em locais públicos”, resume Rodrigo Machado, 37 anos, que criou o termo e o projeto Urban Trash Art (Arte com Lixo Urbano) junto com seu amigo, Cleber Padovani, 28 anos, vulgo Padô.

Quarenta anos antes do projeto da dupla, Andy Warhol, ícone da pop art, expressava-se fazendo estrelas do cinema, da música, garrafas de Coca-Cola e latas de sopa Campbell virarem arte. Ele queria denunciar a massificação da cultura popular através de obras que mostrassem como os objetos produzidos em larga escala para consumo eram impessoais. No caso de Padô e Rodrigo, o protesto é contra o desperdício, e a fazer arte virar lixo foi a forma mais direta e agressiva que encontraram para se expressar.

Os dois conheceram-se em 2003, trabalhavam com cenografia na mesma empresa. Lá, observavam que muitos materiais eram descartados. Em uma conversa sobre o destino das velharias, tiveram o insight de sair para fazer esculturas com lixo. “Nós começamos a reaproveitar o que sobrava dos nossos projetos de cenografia. No começo ‘reciclávamos’ até pregos, desentortando-os”, conta Padô.

O projeto teve início em 2009 e o primeiro trabalho foi uma sala de escritório montada com entulhos numa calçada embaixo do Minhocão do centro de São Paulo. A obra já dava o tom do que o Urban Trash Art viria a ser. Foram colocadas, no meio da paisagem urbana, uma cadeira velha, uma mesa com uma televisão de tela arrebentada e, acima, uma estrutura de madeira segurando peças de isopor que simulam a iluminação de uma lamparina. Ao lado da composição, uma placa indicava: “permitida a entrada de estranhos, obrigado”. Porém, depois de alguns dias, a obra foi desmontada sabe-se lá por quem.

Percepções urbanas

Padô e Rodrigo nasceram em São Paulo e, apesar da “maluquês” de suas esculturas, consideram-se pessoas normais. Pegam ônibus, pagam contas, trabalham oito horas por dia ou mais e ficam estressados como qualquer paulistano. "Em vez de pagar psicólogo, fazemos as esculturas e damos marteladas”, diz Rodrigo.

Perguntados sobre o método que utilizam para planejar as esculturas, fazem graça “Padô, você trouxe o caderno com as anotações aí? Cadê o relatório?!”, grita Rodrigo. Mas, na verdade, o método deles é a bagunça mesmo, pois só dessa forma sentem-se livres para liberar a energia criativa. Quando o projeto é muito grande, costumam chamar Ruivo e Adriano, dois ajudantes que sempre os acompanham nas criações.

Ecochatos?

Mas nem tudo é alegria na vida desses dois artistas do lixo urbano, Padô e Rodrigo tiveram que aprender a conviver juntos da melhor forma possível. Temperamentais como qualquer artista, já tiveram desentendimentos e brigas devido ao número de horas que tem de passar juntos. “Na época que a gente fez o festival de música SWU (Start With You) eu não aguentava mais ver a cara desse aí (Rodrigo), depois de muito tempo junto, a gente dá uma pausa pra voltar a se aguentar”, comenta Padô.

Rodrigo também reclama de Padô, diz que o parceiro não para de falar em atitudes sustentáveis, preocupação com o meio ambiente e reciclagem. Até apelidou-o de ecochato. “Odeio esse blábláblá. Não vamos virar ‘pastores’ da reciclagem, mas eu acredito que nosso trabalho é uma missa inteira. Não precisamos ficar falando muito, nossas esculturas mostram o que pensamos”, finaliza Rodrigo.

Na internet:
Twitter: @urbantrashart
Blog: urbantrashart.blogspot.com
Flickr: rodrigo.machado72
Youtube: vermeertube

Fontes:
http://urbantrashart.blogspot.com/
http://arteimproviso.wordpress.com/tag/urban-trash-art/
http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=176988

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