Moléculas Orgânicas em Meteoritos

Por Felipe Fantuzzi
Meteoritos são agregados de partículas de poeira originados a partir da nebulosa primordial e que entram na atmosfera da Terra, sobrevivendo à queda. Dessa forma, são coletados na superfície do planeta - verdadeiros fósseis da nebulosa solar.

Do ponto de vista da Astrobiologia, os meteoritos mais importantes são os Condritos Carbonáceos (Figura 1). Trata-se de uma subclasse dos meteoritos rochosos, contendo côndrulos - glóbulos - enriquecidos com diversas moléculas orgânicas. Um exemplo interessante desse tipo de meteorito é o Murchison.

Condritos Carbonáceos

O Meteorito Murchison (Figura 2) caiu na Austrália em 1969 e sua queda foi seguida por uma série de análises de composição química. Trata-se de um condrito carbonáceo que contém cerca de 2% de carbono, uma parte sob a forma de carbonatos inorgânicos e a outra de compostos orgânicos, como aminoácidos. Extrações ácido-base dos condritos mostraram a formação de coacervados - aglomerados de moléculas protéicas envolvidas por água e que são de suma importância para a química prebiótica. Hidrocarbonetos de C-15 a C-30, Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos, cetonas, heterociclos com nitrogênio e enxofre - além das nucleobases adenina, guanina, uracila, xantina e hipoxantina - também foram encontrados.

Meteorito Murchison

Mais de 70 aminoácidos foram detectados no meteorito Murchison, com abundâncias totais entre 15 e 60 ppm. Uma das descobertas mais importantes neste campo foi a detecção de excesso enantiomérico dentre os aminoácidos no meteorito. Análises por Cromatografia Gasosa acoplada a Espectrometria de Massas mostraram excesso do L-enantiômero de 2 diastereoisômeros do ácido 2-amino 2,3-dimetil pentanóico e da isovalina. Um outro estudo também mostrou um excesso enantiomérico de 33% da L-alanina, um aminoácido utilizado por todos os seres vivos.

Para a validação de que todo esse material presente no meteorito não veio de contaminação por microrganismos na Terra, foram feitas análises isotópicas. As mesmas mostraram que não houve contaminação. Estas pesquisas apontam que moléculas orgânicas com excesso enantiomérico foram trazidas para a Terra primordial, especulando que pode haver uma correlação entre este fato e a homoquiralidade de moléculas presentes em todos os seres vivos.

Referências:
[1] Cronin, J. R. e colaboradores. Enantiomeric Excesses in Meteoritic Amino Acids. Science, 275, 951 (1997).
[2] Botta, O. & Bada, J. L. Extraterrestrial Organic Compounds in Meteorites. Surveys in Geophysics, 23(5), 411 (2002).