A questão da compra de caças pelo Brasil

Por Emerson Santiago
A questão da compra de caças pelo Brasil teve início ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1998. Tal projeto recebeu dos gabinetes estatais o nome burocrático de FX BR, eprevia a substituição da atual e obsoleta frota de dezesseis caças Mirage III EBR/DBR (F-103), responsáveis pela superioridade aérea e interceptação de aeronaves hostis em território nacional.

No início, doze caças a serem fabricados no país construtor seriam comprados. Além da compra, o projeto também previa a transferência de tecnologia do fabricante para a FAB (Força Aérea Brasileira), resultando em um total final de 120 unidades a serem fabricadas no Brasil. Em outras palavras, o Brasil além de comprar os caças, teria direito a reproduzir a tecnologia contida nos mesmos, como por exemplo a transferência completa das linhas de código dos softwares do equipamento.

As empresas que disputaram o contrato do projeto FX BR, avaliado inicialmente em US$ 700 milhões, foram:

  • Dassault / Embraer (França)  - caça Mirage 2000 BR;
  • SaaB-BAE / Varig (Suécia-UK)  -  caça JAS-39 Gripen;
  • Lockheed Martin (EUA)  -  caça F-16;
  • Rosoboronexport / Avibrás (Rússia)  -  caça Sukhoi Su-35;
  • Mikoyan-Gurevich / RAC (Rússia)  - caça MiG-29.

Os caças F-16 e MiG-29 foram logo desclassificados. O processo de seleção que escolheria o fornecedor dos caças estava previsto para junho de 2004, mas nada foi decidido. O governo encerrou subitamente o projeto FX BR em 2005.

Em 2007, novo projeto para a compra de caças foi aberto, com o nome de FX-2. Agora a ideia era a de que o Brasil importaria 36 unidades, para serem entregues em 2014 ou 2015. Os três fabricantes finalistas no final de 2008 foram:

  • Dassault da França - caça Rafale F3;
  • SaaB-BAE (Suécia-UK) - caça JAS-39 Gripen NG e
  • Boeing dos EUA - caça F/A-18 E/F Super Hornet.

As propostas finais foram entregues a 2 de fevereiro de 2009, e apenas dois dias depois o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim resolveu reconsiderar a proposta russa do caça Sukhoi Si-35 e do Eurofighter europeu, aumentando a lista dos possíveis fornecedores dos caças:

  • Dassault da França - caça Rafale F3;
  • SaaB-BAE (Suécia-UK) - caça JAS-39 Gripen NG e
  • Boeing dos EUA - caça F/A-18 E/F Super Hornet.
  • Rosoboronexport / Avibrás (Rússia)  -  caça Sukhoi Su-35;
  • Consórcio Eurofighter europeu (Alemanha, Itália, Espanha e Inglaterra) - caça EF-2000 Typhoon.

A 7 de Setembro de 2009, os governos Lula e Sarkozy divulgaram nota conjunta dos dois países finalmente confirmando que o Brasil iria adquirir 36 caças Rafale F3. Poucas horas depois, foi noticiado que a concorrência ainda levaria mais algum tempo. Este era o início do fim do projeto FX-2.

Atualmente, a indecisão continua sob o governo da presidenta Dilma Rousseff, que decidiu em janeiro de 2011 cancelar o projeto FX-2 e abrir um novo, o FX-3, com um maior número de concorrentes, destinado a prover novos caças para a FAB.

Bibliografia:

O FX-3 de Dilma. Disponível em <http://www.defesabr.com/Fab/fab_novofx.htm>. Acesso em: 13 mar. 2012.

Silva, Roberto. Dilma Cancela FX-2 e Abre FX-3 Para Caças da FAB. Disponível em <http://www.defesabr.com/blog/index.php/18/01/2011/dilma-cancela-fx-2-e-abre-fx-3-para-cacas-da-fab/>. Acesso em: 13 mar. 2012.