E-books no Brasil em 2011

Por Fernando Rebouças
Em 2011, houve muitos comentários favoráveis ao livro digital no Brasil, os tablets, principalmente o IPad 2, geraram curiosidade e uma nova demanda no mercado de produtos eletrônicos no país, mas a leitura digital ainda vigorou nas telas dos PC’s em virtude dos altos preços dos dispositivos de leitura digital e a falta de tecnologia de dados para a produção e disponibilização de mais obras no formato digital.

Em comparação à mercados mais maduros, como os EUA, Europa e Japão, o livro digital não se tornou num grande produto no Brasil, mas gerou um ambiente de novas expectativas para 2012. Nesse período, o formato de arquivo de livro digital mais utilizado foi o PDF, formato que pode ser gerado por softwares da Adobe e da Microsoft, mas que não permite ampla interatividade visual e mudança de diagramação nos dispositivos móveis.

Dentre outros formatos, o ePub também tem sido oferecido em vendas e download grátis de e-books por editoras brasileiras, seguindo o padrão de disponibilização de editoras nos EUA e Europa. A exceção do mercado são os “livros aplicativos” geralmente produzidos especificamente para IPad.

Além do baixo nível de vendas dos tablets no país, produzir um livro interativo requer uma verba muito alta, em torno de 14 a 30 mil reais. Somente grandes editoras estão desenvolvendo seus livros como aplicativos.

Para haver popularização da leitura digital no Brasil, torna-se necessário maior acesso aos dispositivos móveis, estando a leitura digital ainda atrelada as equipamentos tradicionais: Computador de mesa e laptop. De acordo com uma pesquisa da FGV, em 2011, o Brasil possuía 60 milhões de computadores em uso, com previsão de 100 milhões em uso no ano de 2012. A maioria dos internautas  brasileiros acessam em lan house, maioria equivalente a 31%, seguida pelo acesso doméstico referente a 27%, e de 25% em casa de amigos ou parentes.

Depois dos computadores, os smartphones são a segunda opção de leitura eletrônica, os tablets estão na terceira posição seguidos pelos e-reader. Os e-readers são equipamentos fabricados somente para leitura de livros eletrônicos.

Enquanto que os livros eletrônicos conquistam mercado nos EUA, no Brasil o mesmo não ocorre, além dos motivos citados anteriormente, pela falta de mão-de-obra para a conversão e produção de conteúdo para dispositivos móveis, mesmo para ePub.

Outro fator está relacionado ao modelo de negócio a ser definido no Brasil, pois editores, livrarias e autores ainda não sabem qual modelo seguir, ainda não há um comum acordo entre valores e direitos relacionados à comercialização de conteúdo digital no ambiente virtual e eletrônico.

Uma das primeiras editoras brasileiras a vender e-books , a Zahar, recorreu à empresas da Índia e nas Filipinas para converter seus livros para o ePub. Apesar das dificuldades, o mercado de e-book brasileiro está em evolução, graças aos esforços de editores e de distribuidores digitais como a Xeriph, empresa brasileira de conteúdo e distribuição de conteúdo digital, a Xeriph presta serviço de distribuição segura para diversas editoras brasileiras. Em dezembro de 2010, a Xeriph realizava upload de dois e-books por semana, atendendo a 50 editoras.  Em dezembro de 2011, a empresa já realizava o upload de 100 livros em média para 160 editoras, isso demonstra a preocupação das editoras brasileiras de insererção nesse novo mercado.

Fontes:
http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=67169
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u725278.shtml
http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=66686