Movimento Sem Terra e a Mídia

Por Felipe Araújo
Quando o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) organizou um protesto na fazenda Cutrale - região de Iaras no interior de São Paulo - a reportagem publicada no site do jornal Folha de São Paulo dizia que o objetivo das reivindicações era, segundo o MST, “protestar em defesa da reforma agrária, contra a grilagem de terras públicas e contra a criminalização dos movimentos sociais”.

No site do jornal O Estado de São Paulo, a notícia, embora fale sobre outra invasão – palavra bastante utilizada pelos dois jornais - segue mais ou menos a mesma linha de raciocínio. O título é o seguinte “Sem-terra invadem reserva”, e os motivos do protesto, desta vez, são outros, “os sem-terra alegam que estão há cinco anos sob barracos de lona e dizem que só saem se conseguirem outro local para montar o acampamento”.

Já na abordagem da revista Caros Amigos, existe a preocupação de verificar os pormenores do caso, e não apenas falar sobre as já tão famosas e alardeadas “invasões do MST”. Ao contrário dos outros dois veículos, a notícia é assinada, escrita por Hamilton Octavio de Souza.

Nesta matéria, o jornalista passa informações que nenhum dos outros dois jornais revelam, como, por exemplo “pouco se falou que a terra invadida pela empresa Cutrale pertence à União, é terra pública, e que deveria ter sido usada para assentamento da reforma agrária há muitos anos, conforme projeto do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), mas que foi grilada e vendida para particulares de forma ilegal”.

Por último, o site do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, que faz duras críticas ao governo e à mídia brasileira. É curiosa a maneira como atacam as multinacionais, usando informações sobre desmatamento e os alimentos que produzem, como nos exemplos “estudo mostra contribuição das empresas com desmatamento”, “Espanha reconhece existência de afetados por transgênicos”, “nove marcas de feijão não estão em condições de consumo” e etc.

Cada veículo de mídia publica as notícias de acordo com a sua necessidade financeira, poucos ainda seguem uma linha ideológica. Os dois primeiros casos são jornais de grande repercussão, que, antes de tudo, tem a finalidade de informar mais rápido do que os outros. Dar o “furo”, para que seus leitores continuem consumindo notas e mais notas.

A Revista Caros Amigos custa mais de nove reais, portanto, também visa o lucro. Porém, por não terem a pressa de uma publicação diária e um público mais segmentado, eles podem fazer abordagens mais completas, e, até mesmo criticar as outras publicações, como aparece no artigo de Hamilton “primeiro a TV Globo, depois os demais veículos da grande imprensa neoliberal, exploraram ao máximo – com sensacionalismo e forte dose de criminalização – a imagem de trabalhadores sem terra arrancando pés de laranja numa área grilada da empresa multinacional Cutrale, no município de Iaras, interior de São Paulo”.

Fontes:
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,mst-protesta-em-sp-contra-grilagem-de-terras-publicas,458257,0.htm
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sem-terra-invadem-reserva,458129,0.htm
http://www.satc.edu.br/site/?pagina=subareas/noticias/detalhes_artigos.asp&i_area=1&i_conteudo=69&titulo=O%20papel%20do%20Movimento%20dos%20Trabalhadores%20Rurais%20Sem%20Terra%20na%20luta%20pela%20Reforma%20Agr%C3%A1ria
http://www.mst.org.br/
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u664347.shtml