A poética de Fernando Pessoa

Por Ana Lucia Santana
O poeta e autor português Fernando Antônio Nogueira Pessoa, mais conhecido como Fernando Pessoa, nasceu na capital portuguesa, Lisboa, no dia 13 de junho de 1888. Ele é, sem dúvida, um dos mais importantes poetas do idioma português e da literatura planetária, comparável somente a Luís de Camões.

Conquistou a maestria na língua inglesa na África do Sul, para onde foi aos sete anos, após o matrimônio de sua mãe. De suas quatro obras lançadas enquanto estava vivo, três foram compostas neste idioma. Outra característica marcante de Pessoa são seus heterônimos, identidades construídas pelo poeta e estudadas até hoje pelos pesquisadores, os quais ainda não alcançaram uma compreensão unânime destas várias personalidades ou facetas do escritor.

Seus heterônimos não são meras criações; cada um deles detém uma psique própria e um comportamento definido, os quais se reafirmam autenticamente por meio de sua expressão artística intrínseca e distinta da maneira de agir do autor Fernando Pessoa, o qual é considerado, em sua produção literária, o ortônimo, ou seja, a personalidade primitiva.

Paradoxalmente, com o desdobramento de cada uma das heteronímias, que permitem ao autor olhar o mundo de várias maneiras, o seu ortônimo acabou se confundindo com os heterônimos. As personalidades mais famosas e com maior produção literária são Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro, os três retratados em uma biografia individual, com data de nascimento e de morte – Ricardo, excepcionalmente, não tem uma data estabelecida para o fim de sua existência.

Um quarto nome significativo pode ser adicionado a esta lista, o de Bernardo Soares, criador do célebre Livro do Desassossego, um dos livros mais importantes do autor. Mas Bernardo não é visto exatamente como as demais faces de Pessoa, pois tem muitas características similares às do poeta e não tem uma história pessoal; assim, é classificado pelos estudiosos como um semi-heterônimo.

A criação do ortônimo Fernando Pessoa, assumida pelo autor através de sua própria assinatura, está publicada nos livros Cancioneiro e Mensagem. O primeiro engloba poesia lírica, perfeitamente rimada e metrificada, de teor intensamente simbolista; é o único volume produzido no idioma português pelo poeta. Em Cancioneiro está presente o famoso poema Autopsicografia, no qual o escritor medita sobre o ofício da poesia.

Em Mensagem, o autor estrutura os poemas visando a configurar uma epopéia composta de fragmentos, na qual o conteúdo tem como objetivo tecer louvores grandiosos a Portugal, sua terra natal. Aqui ele compõe um retrato da trajetória histórica de seu país, trilhando um caminho marcado pelo viés nacionalista, com tonalidades místicas inspiradas no mito do rei D. Sebastião.

Esta obra apresenta três divisões: Brasão, que discorre sobre o período glorioso de Portugal; Mar Português, na qual são representadas as viagens marítimas deste país; e O Encoberto, onde o leitor encontra a mitologia sebastianista, ou seja, o desejo de resgatar o período dourado do povo português.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa
http://fredb.sites.uol.com.br/pessoa.html