A. S. Neill

Por Thais Pacievitch
Alexander Shutherland Neill (17 de outubro de 1883 – 23 de setembro de 1973) foi um educador progressista que nasceu em Forfar, Escócia, distante de Dundee a 24 km na direção norte. Seu pai, professor, foi seu principal mestre. Em 1905, graduou-se em artes, em 1912, pela Universidade de Edimburgo. Em 1914, Neill trabalhou como professor no ensino público, mas seu descontentamento em relação à pedagogia própria da escola convencional foi lhe causando progressivamente desgosto, fato que o levou a fundar a escola privada Summerhill, situada em Leiston (Londres) e ainda em funcionamento.
Summerhill é um internato onde convivem meninos e meninas de 5 a 16 anos. Neill acreditava que é mais importante o desenvolvimento adequado das emoções do que o adiantamento intelectual. Um garoto emocionalmente sadio pode obter recursos facilmente no futuro para o que desejar fazer, inclusive para ficar à altura, em conhecimentos e recursos intelectuais, do que os meninos da escola convencional. Desde cedo Neill se opunha a toda forma de competitividade que era fomentada nas crianças. O fundamental é o equilíbrio emocional, como fator chave para que os jovens sejam pessoas felizes, último objetivo da educação da educação para A. S. Neill.

Quando Neill fundou Summerhill, sob a influência das teorias psicoanalíticas de Wilhem Reich, amparava a idéia de fazer uma escola que se adaptasse às crianças, ao invés de fazer as crianças adaptarem-se à escola, sem esquivar-se do conceito de que o indivíduo é livre por natureza e que, desta maneira, tem direito à liberdade. Aqui, é interessante destacar o que Neill entendia por liberdade: o fato das crianças disporem de uma grande margem de autonomia e liberdade não implica no fato da libertinagem imperar na escola, mas que a verdadeira liberdade é aquela que respeita os direitos e a liberdade alheios.

Neill também propôs que fossem banidos da escola os prêmios e os castigos, visto que, da mesma forma que Carl Rogers, estava convencido de que o prêmio estava arraigado no resultado de um trabalho bem feito e o castigo vinha junto com o fracasso.

Também, como freudiano, Neill era bastante contrário à repressão sexual e à imposição de valores puritanos próprios da educação da primeira metade do século XX. Para ele insultar o sexo e a sexualidade era insultar a vida.