Aristófanes

Por Ana Lucia Santana
Este famoso poeta, considerado um ícone do gênero cômico e dramaturgo da Grécia Antiga, nasceu por volta de 450 a.C., na cidade de Atenas. Embora Aristófanes seja um dos grandes nomes da Antiguidade, pouco se sabe sobre sua existência. A partir de sua obra, porém, é possível compreender alguns elementos de sua biografia.

Percebe-se claramente que ele teve uma educação sofisticada, e oportunidades não lhe faltaram, pois ele viveu em um período de intensa vida cultural, no ápice da grandiosidade ateniense, conhecido como Século de Péricles. Este período coincidiu também com a eclosão da Guerra do Peloponeso, que teve seu fim em 404, com a completa derrota dos atenienses nas mãos dos espartanos. O autor presenciou os momentos de maior glória, e também os de total declínio de Atenas.

Estes eventos marcaram profundamente sua obra. Desta forma, a Guerra do Peloponeso é um tema incessante de sua produção artística, ou talvez seja melhor definir sua temática como a saudade da paz. Suas peças, de teor profundamente sarcástico, têm como alvo constante o poder, seja ele político – especialmente a imagem dos demagogos, figuras prejudiciais aos mecanismos que regem a economia, a esfera bélica e a vida cultural de Atenas -, religioso ou intelectual. Geralmente o personagem que se encontra à margem da sociedade se revela superior aos representantes do poder. Assim o autor pode exercer sua revanche contra os que ele julga responderem pelo declínio de sua cidade-estado.

Aristófanes também critica acidamente seus colegas do ramo teatral e os filósofos. Ele levou sua primeira obra aos palcos em 427 a.C. – a comédia Convivas -, mas apenas em 425 a.C. ele estréia como diretor em Cavaleiros. A partir daí ele elabora mais de quarenta peças, das quais onze se tornam célebres. Ideologicamente ele se alinha com as mentes conservadoras, demonstrando uma certa rejeição às transformações sócio-políticas. Seus protagonistas são árduos defensores dos valores tradicionais, do civismo e da comunhão social. O autor lança seus dardos na direção da ostentação, dos embustes, das ilusões, da tirania e da corrupção social.

Nos diálogos tecidos em suas obras, brilhantes e irônicos, ele reproduz todas as proposições debatidas exaustivamente em sua época, as relativas à Guerra, às técnicas educacionais, aos debates filosóficos, à responsabilidade feminina na vida social, entre outros temas polêmicos.

Na sua peça Lisístrata ou A Greve do Sexo, de 411 a.C., por exemplo, ele aborda a questão das mulheres, que neste enredo empreendem uma greve sexual para obrigar Atenas e Esparta a assinarem um tratado de paz. Em As Vespas, de 422 a.C., o autor debate o significado da verdade e suas vantagens, demonstrando assim sua inquietação com relação à ética. Na obra As Nuvens, de 423 a.C., ele condena Sócrates, afirmando que o filósofo influencia negativamente os habitantes de Atenas.

Aristófanes morre por volta de 385 a.C., depois de deslocar seu foco temático da Guerra do Peloponeso, que já chegara ao fim, para os problemas internos de Atenas.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aristófanes
http://www.mundocultural.com.br/literatura1/grega/aristofanes.htm