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Jean-Luc Godard

Desassossegado e inquietante diretor de cinema francês, Jean-Luc Godard nasceu a 3 de dezembro de 1930, em Paris. Sua infância e juventude transcorreram na Suíça, mas logo retornou para a França ao entrar na Sorbonne, onde cursou etnologia – estudo comparativo de sociedades e culturas distintas. Filho de um médico nascido na França e de uma filha de banqueiros suíços, logo cedo se distanciou deles, ao encontrar traços de anti-semitismo em uma das vertentes familiares.

Desde seu primeiro longa-metragem, Acossado, ele já revelava sua natureza transgressora, a qual não se satisfez com o sucesso da estréia e buscou sempre romper regras e quebrar tradições, desconstruindo a estética convencional do cinema norte-americano, fragmentando a narrativa, transformada em frações descontínuas e portadoras de um significado autárquico.

Irreverente e polêmico, escreveu críticas cinematográficas para a famosa Cahiers du Cinema em 1952, dirigiu diversos curtas-metragens, experimentou a fama com seu filme de estréia, mas depois optou por caminhos vanguardistas e subversivos, filmando com uma câmera na mão, algo impensável para a época, registrou nas telas idéias ao invés de histórias, quebrou a correspondência usual entre representações visuais e diálogos, buscou em suas películas um ritmo descontínuo. Sua obra é um reflexo das mudanças e sobressaltos inerentes ao século XX.

Acossado é uma das primeiras criações do movimento cinematográfico que se tornou conhecido como “Nouvelle Vague”, do qual Godard foi um dos maiores representantes, ao lado de François Truffaut. Esta escola tinha como meta transmutar o Cinema Francês e dar novos rumos à direção, resgatando o filme de autor. As criações deste provocativo cineasta se sucederam a partir de então, revelando a cada momento novos ângulos de criatividade e vitalidade, caracterizando o diretor como um dos mais imaginativos criadores desta linhagem vanguardista.

Vieram Pequeno Soldado, Demônio das Onze Horas, Viver a Vida, Bande à Part, Alphaville, Duas ou Três Coisas que eu Sei Dela, A Chinesa, Week-end à Francesa. O movimento inquieto da câmera, os longos planos-sequências, a montagem fragmentária, a inventividade e a atribuição de méritos e indagações a cada imagem, são atributos desta etapa de sua filmografia. Ele engloba em suas representações fragmentos de textos literários, quadrinhos, músicas eruditas e produções plásticas.

Outro momento de sua trajetória criativa iniciou-se com os movimentos subversivos desencadeados pelos acontecimentos que se desenrolaram em maio de 1968. Godard gerou o Dziga Vertov, assim batizado para celebrar este cineasta russo, também vanguardista. Esta escola cinematográfica dedicou-se ao cinema de teor político. Pravda aborda o episódio da invasão soviética nos territórios tchecos; Le Vent d’Est, filmado a partir de roteiro do rebelde líder do movimento estudantil, Daniel Cohn-Bendit, desmascara o faroeste americano; e Jusqu’à La Victoire discorre sobre guerrilheiros palestinos.

Godard tece sua obra como um artista solitário, sem a colaboração de outros, produzindo assim um cinema essencialmente autoral. Geralmente ele não se baseia em roteiros pré-elaborados, e sim em anotações casuais em um caderno, as quais ele transmite aos atores no momento das filmagens. Por suas incessantes inovações e transgressões, já foi acusado de ser comunista ou fascista, dependendo da natureza de sua criação e da mentalidade ideológica de seus detratores.

Nos anos 80 ele rompeu novamente com os padrões ao filmar Passion, uma meditação sobre a pintura. A seguir, Prénom: Carmen e Je Vous Salue Marie provocaram furor, principalmente este último, censurado no Brasil e em vários países, por ferir valores cristãos convencionais. Na década de 90 ele dirigiu vários curtas-metragens. Seu filme mais recente é Nossa Música, lançado em 2004.

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