Papa Adriano II

Por Antonio Gasparetto Junior
Adriano II foi o papa de número 106 na história da Igreja Católica.

Nascido em Roma, na Itália, no ano 792, Adriano Collona era proveniente de uma família tradicional na formação de Supremos Pontífices. Os papas Estevão III e Sérgio II foram seus parentes. Entretanto Adriano Collona levava uma vida diferenciada, não tinha as questões religiosas em primeiro lugar e não almeja ser papa. Adriano possuía uma vida comum, era casado com uma mulher chamada Estefânia, com a qual teve uma filha. Só mais tarde que assumiu a vida religiosa.

Como homem da Igreja, Adriano Collona também permaneceu sem grandes pretensões. Por duas vezes ele recusou a nomeação como Supremo Pontífice. É bem provável que a tradicional influência familiar tenha o beneficiado em tantas ocasiões, pois, além de negar o cargo por duas vezes, ainda foi eleito papa no dia 14 de dezembro de 867 para suceder o falecido papa Nicolau I. A despeito de sua família, parece que Adriano Collona, ou papa Adriano II, não era mesmo muito afeito ao mundo religioso. Ele só aceitou o cargo de Supremo Pontífice aos 75 anos de idade e não abandonou sua família. Assim que ocupou o cargo, sua esposa e sua filha passaram a viver no Palácio Laterano. Seria justamente como papa que viveria a maior tragédia de sua vida. A Igreja Católica passava por um cisma naquela ocasião, havia um antipapa denominado Atanásio III que fora, inclusive, nomeado pelo próprio papa Adriano II para ser o bibliotecário da Igreja de Roma no Palácio Laterano, um importante cargo para a época. O irmão de Atanásio III, Eleutério, assassinou, em 868, a esposa e a filha do papa Adriano II, deixando-o muito abalado.

O papado de Adriano II foi bastante maleável. O papa relativizou questões rígidas e foi muito acessível. Era conhecido por ser caridoso e amável. Com sua personalidade amena e suas boas intenções, tentou resolver discórdias entre os católicos, o que o levou a convocar o VIII Concílio Ecumênico em Constantinopla. Sua natureza pacífica foi fundamental para expansão da Igreja Católica, Adriano II foi responsável por coroar o primeiro soberano inglês abençoado por Roma, o rei Alfredo, o Grande. Outra grande marca de seu papado e de sua modernização da Igreja Católica foi a permissão concedida a Cirilo e Metódio para celebrarem a liturgia católica em língua eslava entre os eslavos, no Leste Europeu. O desprendimento de Adriano II o avançava praticamente mil anos no tempo, pois somente no século XVI, com a Reforma Protestante, que as celebrações cristãs deixariam de ser em latim.

Adriano II permaneceu cinco anos como Supremo Pontífice da Igreja Católica. Foi seguindo sua tradição familiar que viveu sua maior tristeza, porém, ainda assim, seu papado destaca-se por ações de vanguarda. Adriano II faleceu no dia 14 de dezembro de 872 e foi sucedido por João VIII.

Fontes:
http://www.ratzingerbenedettoxvi.com/adrianoII.htm
http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/PPAdria2.html