Protágoras

Mestre em Filosofia (UFPR, 2013)
Bacharel em Filosofia (UFPR, 2010)

De acordo com o que nos relata Platão, Protágoras foi um filósofo grego do século IC a.C., que inventou a profissão de sofista, um tipo especifico de professor na Grécia antiga e no império romano, que deveria ensinar a arete, palavra grega que traduz o conceito de "excelência" ou "virtude", aplicado a áreas como música, matemática e atleticismo. Embora tenha sido discípulo de Demócrito, conhecido por seu desenvolvimento da posição atomista e o respeito pelo uso da matemática, Protágoras não seguiu pelo caminho de seu mentor, de acordo com Aristóteles. Em sua Metafísica, Protágoras teria direcionado vários argumentos à refutação dos geômetras e não acreditava haver qualquer benefício em se estudar as aplicações da matemática teórica ao mundo natural. Por outro lado, seu interesse na causalidade e nas implicações em termos de responsabilidade legal era um importante ponto de estudo e ensino, segundo Plutarco, Protágoras teria passado um dia inteiro discutindo com Péricles sobre as implicações legais de um atleta que teria sido morto acidentalmente por um dardo atirado durante os jogos olímpicos, questionando se a responsabilidade deveria ser atribuída aos condutores dos jogos, ao atleta que o lançou ou até mesmo ao dardo, relevando que sua preocupação seria com a causa do evento em questão.

Protágoras é frequentemente lembrado pela controvérsia que teria criado ao afirmar que o homem seria a medida de todas as coisas, o que foi interpretado por Platão, e pela tradição posterior, como uma forma de relativismo, que afirmaria não haver uma verdade absoluta e objetiva, para além da influência humana, suas percepções e opiniões, mas que haveria apenas a opinião de cada individuo, defendida como verdade, ou uma espécie de verdade pessoal. Embora existam razões para se questionar que a argumentação de Protágoras fosse tão radical. Como aconteceu com diversos filósofos pré-socráticos, citações de Protágoras foram passadas adiante pela tradição, sem contexto que as explicasse, o que mantém abertas as possibilidades de interpretações diferentes. Uma destas interpretações trata do uso da palavra "chremata", significando "coisas usadas", ao invés da palavra mais geral "onta", que significaria "entidades", o que poderia significar que Protágoras não falava da realidade objetiva do mundo como um todo, procurando explicar a natureza da realidade como procuraram fazer seus predecessores, mas tratar daquelas coisas especificas dos seres humanos, como as propriedades, entidades sociais, sentimento e julgamentos. De acordo com esta posição, Protágoras não teria sugerido, por exemplo, que o homem é a medida dos vulcões e outros fenômenos naturais, mas apenas daquelas coisas que tem sua origem na mente humana.

Platão e Aristóteles argumentaram contra os aspectos relativísticos da teoria de Protágoras, que implicaria na não existência de fundamento objetivo para os valores, de forma que posições diferentes poderiam ser equivalentes e talvez respeitadas igualmente, embora o próprio Protágoras reconhecesse que algumas ideias poderiam ser benéficas para alguns e prejudiciais para outros.

Em sua obra perdida, Sobre os Deuses, Protágoras foi um propositor da posição agnóstica, aquele que afirma não ter condições de concluir pela existência ou não dos deuses. Sua posição era a de que este seria um tema complexo e obscuro, não podendo ser analisado em profundidade suficiente no decurso da vida humana, por ser esta demasiado curta. Alguns estudiosos defendem que Protágoras seria melhor descrito como uma ateísta, pois teria defendido que, se algo não pode ser conhecido, este algo não existe.

Suas obras sobreviveram tempo suficiente para serem estudadas nos séculos seguintes, mas atualmente poucos fragmentos restam, de forma que as melhores fontes de informação sobre Protágoras são os trabalhos de Platão, Aristóteles, Cícero e Diógenes Laércio.

Referências bibliográficas:

BUCKINGHAM, Will; at all. O Livro da Filosofia. Editora Globo. São Paulo, 2011.

KERFERD, G. B., O movimento sofista, trad. Margarida Oliva, Edições Loyola, São Paulo, 2003.

PLATÃO, Protágoras, trad. Carlos Alberto Nunes, Ed. UFPA, 2002.

SMITH, William. "Philola'us". Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology. ed. (1870).

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