Raymond Williams

Por Ana Lucia Santana
O pesquisador, crítico e escritor galês Raymond Williams nasceu no dia 31 de agosto de 1921, no pequeno vilarejo de Llanfihangel Crucorney, no País de Gales, localizado no Reino Unido. Seu pai trabalhava em uma ferrovia e, como seus colegas, apostava no Partido Trabalhista Britânico. Na localidade em que viviam, o idioma galês não era praticado, embora a tradição galesa fosse intensa.

Este galês se tornaria um dos principais estudiosos e criadores dos estudos culturais, e despontaria como um nome significativo nesta esfera na Nova Esquerda inglesa, no período que se seguiu ao fim da Segunda Guerra Mundial. Ele elaborou estudos sobre literatura, teatro e televisão, sempre procurando compreender estes veículos tanto do ponto de vista da cultura erudita, quanto da cultura popular, sem deixar de lado a famosa indústria cultural.

Sua obra, amplamente divulgada, particularmente no Reino Unido - onde alcançou o montante de 750 mil volumes comercializados -, é um claro reflexo da filosofia marxista. Além disso, vários de seus livros foram traduzidos em diversos países. Williams também publicou novelas e peças teatrais.

Os estudos de Raymond foram realizados no King Henry VIII Grammar School, em Abergavenny. Sua adolescência transcorreu em um período obscuro, marcado pelo poder dos nazistas e pela eclosão da Guerra Civil Espanhola. O garoto se mantinha informado sobre os acontecimentos de então através de sua participação no Clube do Livro de Esquerda regional.

Williams teve seus estudos no Trinity College, em Cambridge, suspensos ao ter que ingressar na Guerra. Ainda nesta cidade ele ingressou nas fileiras do Partido Comunista Britânico. Neste momento o Estado avaliava a possibilidade de combater a União Soviética, embora ainda estivesse em luta contra a Alemanha de Hitler.

Em 1946, o acadêmico defendeu seu mestrado no Trinity College, iniciando a partir de então uma experiência pioneira na educação de adultos, em classes noturnas direcionadas para as classes trabalhadoras. Sua vivência pedagógica foi registrada em seu célebre estudo Cultura e Sociedade, lançado em 1958. Ele repetiu o mesmo sucesso obtido por esta obra com o livro A Longa Revolução, de 1961. Entre seus vários livros, ele escreveu igualmente Television: Technology and Cultural Form.

Além desta experiência na educação, Williams lecionou Dramaturgia em Cambridge, de 1974 a 1983, e atuou como professor-visitante de Ciências Políticas na Universidade de Stanford, em 1973. Seus estudos se voltaram particularmente para as interações entre linguagem, literatura e sociedade.

O estudioso se aposentou em 1983 e instalou-se então na cidade de Saffron Walden, localizada no Distrito de Essex, na Inglaterra. Aí permaneceu nos últimos anos de sua existência. Neste período ele criou uma ficção – Loyalties (Lealdades) - sobre um grupo de pessoas ricas e radicais, fascinadas pelo comunismo vigente na década de 30. Ao morrer, no dia 26 de janeiro de 1988, ele escrevia um monumental livro de contos, Povo das Montanhas Negras, que ficou inconcluso. Esta coletânea foi lançada assim mesmo, acompanhada de um anexo que esclarecia como seria a parte final desta obra.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Raymond_Williams
http://www.boitempo.com/livro_completo.php?isbn=978-85-7559-082-9
http://en.wikipedia.org/wiki/Saffron_Walden