Simone de Beauvoir

Mestre em Ciências Humanas (CEFETRJ, 2014)
Especialista em Linguística, Letras e Artes (CEFETRJ, 2013)
Graduada em Letras - Literatura e Língua Portuguesa (UFRJ, 2011)

A filósofa Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, ou simplesmente, Simone de Beauvoir, nasceu na cidade de Paris, capital da França, em 09 de janeiro de 1908 e faleceu na mesma cidade em 1986. Considerada um ícone do feminismo, também é uma das principais representantes do movimento existencialista francês do século XX, ao lado do filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980), com quem estabeleceu uma peculiar relação de amizade, amor e troca intelectual de grande relevância.

Ao analisar os processos de formação social entre homens e mulheres, Simone de Beauvoir identificou uma multiplicidade de instrumentos e mecanismos que construíram e “naturalizaram” grande diferenciação e hierarquização entre homens e mulheres, sempre em prejuízo dessas últimas. Compreendendo a extensão dessa desigualdade e os inúmeros problemas daí decorrentes, a filósofa desenvolveu estudos e argumentos que deram conta de novos saberes que produzissem novas configurações sociais.

Foto: autor desconhecido / via Wikimedia Commons

Por meio de sua produção, em especial, sua célebre obra “Segundo Sexo” (1949), Simone se tornou um marco dentro do movimento feminista, rejeitando o tradicionalismo da formação e da moral religiosa dentro da qual foi educada e abordando temáticas inéditas até aquele momento, tanto em âmbito social quanto acadêmico. A referida obra traça uma profunda análise sobre o papel designado à mulher dentro da sociedade e sobre a construção do que é ser mulher, estabelecendo uma importante distinção entre os conceitos de gênero e sexo que a leva a sua clássica conclusão, a de que “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, acrescentando que “Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado, que qualificam de feminino”.

Em outra produção, intitulada “A Convidada” (1943), Simone já havia abordado a degeneração das relações entre homens e mulheres, revelando um traço característico do seu fazer filosófico, a saber, um profundo comprometimento intelectual com seu tempo e com sua sociedade, acentuando, assim, importantes princípios da filosofia existencialista. Segundo a filósofa, a humanidade é masculina e o homem define a mulher não em si, mas relativamente a ele, tornando-a, assim, um ser condicionado, não autônomo. A partir dessa abordagem, Beauvoir analisa e critica a hierarquização social do gênero masculino sobre o feminino.

Ligada aos movimentos sociais, Simone realizou viagens para diversos países, entre eles, China (1955), Cuba e Brasil (1960) e União Soviética.  Em 1971, assumiu a direção da revista política, literária e filosófica de extrema esquerda, “Les Temps Modernes”, criada por ela e Sartre em 1944.

Na vasta produção de Beauvoir destacam-se obras que abordam assuntos variados, relacionados ao Existencialismo, política, relacionamentos entre homens e mulheres, mães e filhas, à velhice, privilégios e à morte, entre outros. Além das já citadas “A Convidada” e “Segundo Sexo”, Simone escreveu uma trilogia de pequenos ensaios nomeados “Privilégios” (1955), “Memórias de uma moça bem-comportada”, obra autobiográfica e existencialista lançada em 1958 em que a filósofa se utiliza das próprias experiências e histórias vividas para criticar a opressão moral e religiosa à qual as mulheres de sua geração estavam submetidas.

Por fim, também tiveram grande repercussão obras como “Uma morte muito suave” (1964) e “A velhice” (1970) e “Cerimônia do Adeus” (1981), em que Simone escreve sobre Sartre, sobre o declínio de sua mente poderosa e deterioração do corpo de seu companheiro. Simone de Beauvoir faleceu em Paris no dia 14 de abril de 1986.

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