Anfíbios

No decorrer de milhões de anos os peixes foram avançando para a terra, mas para que isso acontecesse algumas mudanças adaptativas foram ocorrendo. Os “novos animais terrestres” desenvolveram órgãos respiratórios específicos para usar o oxigênio disperso no ar e, entre outras, foram desenvolvendo formas de se locomoverem em terra firme, desenvolvendo então membro posteriores e anteriores. Os anfíbios (classe Amphibia) são exemplos desses animais transitórios, pois são os únicos vertebrados tetrápodas (tem quatro “pés”) que ainda tem uma relação obrigatória com o ambiente aquático, pois dependem dele para reprodução e nos primeiros estágios de vida, além de terem a pele fina, necessitando viver em ambiente úmidos.

Sistema reprodutor

Salamandra. Foto: Lior Fainshil [Public domain], via Wikimedia Commons

A maioria dos anfíbios têm fecundação externa, com exceção das salamandras que tem fecundação interna usando o espermatóforo para a transferência dos espermatozoides. Sendo assim, muitos precisam estar em ambientes aquáticos. Seus ovos não têm casa e ficam depositados em águas calmas. Quando os ovos racham nascem larvas que vivem inteiramente na água até o desenvolvimento da metamorfose e iniciar a migração gradativa para a terra.

Sistema sensorial

As larvas dos anfíbios e algumas salamandras adultas usam o sistema de linha lateral remanescente para sentirem o ambiente a sua volta. Já os outros anfíbios adultos usam o olfato (canais nasais se abrem na cavidade bucal), audição (ouvido interno com membrana timpânica), além da visão (olhos com pálpebras e glândulas lacrimais) para captar os acontecimentos. A pele dos anfíbios produz secreções utilizadas para defesa.

Sistema respiratório

Nas larvas aquáticas dos anfíbios a respiração é feita através de brânquias. Elas vão regredindo e a respiração passa ser ou através da pele (cutânea) ou nos pulmões.

Termorregulação

Os anfíbios são ectotérmicos, ou seja, sua temperatura corporal é regulada pela temperatura do meio ambiente. Portanto, o habitat perfeito dos anfíbios é necessariamente úmido.

Estrutura corporal

A estrutura do corpo dos anfíbios varia entre as espécies. A salamandra tem o corpo divido entre cabeça, pescoço, tronco, cauda e membros. Sapos tem a cabeça e o tronco fusionados. Os cecilianos não tem membros e não tem divisão corporal bem definida, lembrando uma cobra. Quando com patas, os anfíbios têm quatro dígitos.

Sistema circulatório

Os anfíbios têm um coração com dois átrios e um ventrículo. A circulação é chamada dupla, já que o sangue sai do coração pelas artérias passa pelos órgãos, pelas veias vai para o pulmão e volta para o coração. Devido a respiração de alguns anfíbios ser cutânea, a pele deles é irrigada por inúmeros vasos.

Sistema excretor

Os líquidos corporais são filtrados por pares dos rins que excretam ureia, composto pouco tóxico que é liberado quando o corpo precisa economizar água, pois são liberadas em soluções concentradas.

Sistema nervoso

O cérebro dos anfíbios é bem desenvolvido e dividido em três partes sendo cada uma responsável por um sistema sensorial (telencéfalo – olfato; mesencéfalo – visão; rombencéfalo – auditivo e equilíbrio). A espinha dorsal é responsável por transmitir a mensagem do cérebro para os demais membros e partes do corpo por meio de nervos.

Sistemática

Os anfíbios são compostos por três ordens. Os cecilianos, ordem Gymnophiona, são os ápodos, não possuem membros. Nesta ordem encontramos as cobras-cegas. Os olhos dos animais dessa ordem podem estar ausentes, podem ser vestigiais ou ser bem pequenos. As salamandras (caudata) fazem parte da ordem Urodela e seus membros são do mesmo tamanho. Os sapos, pererecas e rãs são da ordem Anura por não terem cauda (exceto quando larvas), possuem membros, porém seus membros traseiros são mais longos e mais fortes por ser muito usados na locomoção dos animais (salto).

Referência:

Hickman, Princípios integrados de zoologia, 14 edição, 2008 –– Páginas 543 a 562

Arquivado em: Anfíbios, Cordados