Plantas aquáticas

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

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Existem muitas espécies vegetais adaptadas para viver no ambiente aquático, tanto dulcícola quanto marinho. Essas plantas aquáticas, ou hidrófitas, podem ocorrer submersas ou na superfície da água e apresentam uma série de modificações morfológicas em relação às plantas terrestres. Macroalgas, por não serem vascularizadas, não são consideradas hidrófitas.

A diversificação de plantas aquáticas está diretamente interligada com o surgimento das angiospermas. Registros fósseis indicam a presença de espécies de lírios d’água no final do Cretáceo, período em que a radiação e ocupação dos mais variados nichos por plantas com flores deve ter acontecido. As flores dos fósseis são muito similares morfologicamente as flores do lírio d’água gigante da Amazônia, porém com tamanho reduzido. Esta semelhança pode apontar a ocorrência das primeiras relações de polinização com insetos já sendo estabelecidas há mais de 90 milhões de anos.

A modificação mais comum entre as plantas aquáticas é a presença do aerênquima. Este tecido especial é extremamente poroso, preenchido com canais de ar, e pode ocorrer nas folhas, raízes e caule. É através do aerênquima que as trocas gasosas entre as porções aérea e submersa do corpo vegetal ocorrem.

As plantas aquáticas podem ser classificadas como:

  • Plantas submersas – são aquelas em que toda a planta fica debaixo d’água. Elas ficam fixas ao fundo através das raízes e todo o caule e folhas ficam submersos. As estruturas reprodutivas são a única parte da planta que aparece acima da superfície da água. Comumente encontradas em áreas de charco rasos e no litoral, elas possuem uma taxa de crescimento lenta e podem ficar expostas caso seu habitat sofra com secas ou períodos de maré baixa. Um exemplo é a Lobellia dortmanna, um vegetal de hábito herbáceo;
  • Plantas parcialmente submersas (ou helófitas) – são aquelas em que a raiz se fixa no fundo, porém parte do caule e as folhas ficam rigidamente expostos acima da linha d’água, como observado em Lysichiton americanus. Algumas plantas, como a família das Nymphaeaceae, apresentam raiz fixadora no fundo, mas suas folhas flutuam livremente na superfície, acompanhando o fluxo da água. O exemplo mais conhecido deste grupo são as vitórias-régias, que podem ser pequenas ou chegar a medir até dois metros de comprimento foliar;

Vitória régia. Foto: Grigory Kubatyan / Shutterstock.com

  • Plantas flutuantes – são aquelas que não possuem fixação e se movem juntamente com o fluxo da água. Sua porção submersa é pequena, e suas folhas e caules possuem uma grande quantidade de aerênquima, permitindo a flutuação. A alface d’água (Pistia stratiotes) é comum nos rios brasileiros e é usada para fins religiosos.

As hidrófitas são um componente importante dos ecossistemas aquáticos, servindo como recurso alimentar e também como habitat para muitos componentes da fauna e da flora (plantas epífitas podem utiliza-las como suporte). Apesar de possuírem uma baixa relevância econômica, elas são utilizadas para fins paisagísticos e também como alimento em algumas culturas. Estudos recentes têm apontado o valor destas plantas como bioindicadores da qualidade da água e também seu possível uso para captação de poluentes e tratamento de resíduos.

Referências:

Gandolfo, M.A., Nixon, K.C. and Crepet, W.L., 2004. Cretaceous flowers of Nymphaeaceae and implications for complex insect entrapment pollination mechanisms in early angiosperms. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 101(21), pp.8056-8060.

James, C., Fisher, J., Russell, V., Collings, S. and Moss, B., 2005. Nitrate availability and hydrophyte species richness in shallow lakes. Freshwater biology, 50(6), pp.1049-1063.

Lienard, A., Boutin, C. and Esser, D., 1990. Domestic wastewater treatment with emergent hydrophyte beds in France. In Constructed wetlands in water pollution control (pp. 183-192).

Tiner, R.W., 1991. The concept of a hydrophyte for wetland identification. BioScience, 41(4), pp.236-247.

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