Retrovírus

Graduação em Biologia (CUFSA, 2010)
Especialização/MBA em Análises Clínicas (Uninove, 2012)

Os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, ou seja, eles precisam utilizar a maquinaria da célula hospedeira para sua replicação. Eles possuem um único tipo de material genético DNA ou RNA e isso os diferencia em Adenovírus, quando possuem o DNA, ou Retrovírus quando possuem RNA.

Os retrovírus foram os primeiros vírus a serem estudados em 1904, quando pesquisadores procurando por bactérias como agentes infecciosos para leucemia em galinhas, encontraram filtrados celulares que transmitiam a doença, e em 1911, Peter Rous isolou o vírus transmissor de sarcoma de galinhas denominado Rous Sarcoma Vírus- RSV, o primeiro oncovírus (vírus que causam câncer) a ser descoberto.

Os retrovírus são um grupo de vírus de RNA que se replicam para produzir DNA a partir do RNA, usando uma enzima denominada transcriptase reversa. O DNA produzido é então incorporado ao genoma do hospedeiro. Normalmente, as informações genéticas seguem um fluxo do DNA para o RNA e então para proteínas, ao inverter esse processo, a transcriptase reversa faz uma cópia de um DNA de fita dupla, denominado DNA complementar (cDNA) a partir do genoma de RNA viral de fita dupla. Todos os retrovírus humanos compartilham várias similaridades em relação à estrutura, à organização genômica e ao modo de replicação. Os retrovírus pertencem à família Retroviridae, que infecta aves e mamíferos. A família contém sete gêneros, são eles e suas respectivas espécies:

  • Alpharetrovírus: Vírus do sarcoma de Rous que tem galinhas como hospedeiro.
  • Betaretrovírus: Vírus do tumor mamário de camundongos.
  • Gammaretrovírus: Vírus da leucemia Murina em camundongos.
  • Deltaretrovírus: Vírus linfotrópico T humano
  • Epsilonretrovírus: Vírus do sarcoma dérmico de Walleye
  • Lentivírus: Vírus da imunodeficiência humana (HIV).
  • Spumavirus: Vírus espumosos dos símios.

Entre os retrovírus que causam doenças em humanos estão o linfotrópico T humanos (HTLV), que possuem afinidade e infectam as células de defesa do organismo, os Linfócitos T e são classificados em quatro grupos, sendo os dois primeiros os mais estudados: HTLV-I e HTLV-II. O vírus é transmitido por contato direto com fluidos corporais infectados, por relação sexual desprotegida, agulhas infectadas e por transmissão vertical (de mãe para filho) e a grande maioria dos indivíduos infectados são assintomáticos. Estima-se que apenas 10% dos indivíduos infectados pelo vírus apresentarão algumas doenças associadas como linfoma/leucemia de células T do adulto, linfoma não Hodgkin de células T e síndrome neurodegenerativa atípica, designada paraparesia espástica tropical ou mielopatia associada ao HTLV-I, e o vírus da imunodeficiência humana (HIV), agente infeccioso que causa a Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), que atinge o sistema imunológico dos indivíduos infectados, e impede que o organismo consiga combater infecções.

Os retrovírus, assim como outros vírus, possuem a característica de produzir infecções latentes e persistentes, caracterizadas por longos períodos de incubação e crescimento lento das quantidades de vírus nas células infectadas, isso permite que eles permaneçam assintomáticos por um longo período até que a doença associada comece a apresentar os sintomas.

O diagnóstico das doenças ocasionadas por retrovírus normalmente é dependente de testes laboratoriais, uma vez que os sinais clínicos são variados e existem associações com agentes oportunistas como no caso da AIDS e pode se confundir com outras patologias. Esses vírus de RNA sofrem muitas mutações, o que possibilita que eles infectem várias vezes o mesmo indivíduo e não sejam combatidos e também dificulta na elaboração de um composto terapêutico eficiente.

Fontes:

http://www.aids.gov.br/pagina/infeccao-pelo-virus-t-linfotropico-humano-htlv

Beilke MA, MD., Barrios C, pHD. Human retroviral infections other than HIV infection. ACP Medicine. 2013.

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