Máfia Chinesa

Por Felipe Araújo
O surgimento das Tríades Chinesas ocorreu devido a fatores históricos, especificamente a guerra entre os Hans e os Manchus na China. Os grupos criminosos tiveram origem em 1644 pela etnia Hans e tinham como objetivo expulsar os invasores Manchus, fundadores da dinastia Ming. Em 1760, os Hans criaram a “Sociedade do Céu e da Terra” para combater a dinastia Ming e restaurar seus valores e regras.

A influência destas sociedades espalhou-se por toda a China e o grande contingente começou a se ramificar em pequenos grupos, entre eles a “Sociedade das Três Harmonias”. Este grupo adotou um triângulo com emblema, geralmente acompanhado por imagens de espadas ou retratos de imagens decorativas de espadas ou retratos de Guan Yu, um dos mais temidos guerreiros da China Antiga.

Estes segmentos criminosos foram batizados de tríades pelas autoridades inglesas, em referência ao símbolo que utilizavam. Alguns historiadores apontam que estas máfias surgiram como parte de um movimento revolucionário chamado “Seita do Lótus Branco”, que teria totalizado dois milhões de membros em suas fileiras e organizado mais de 80 rebeliões.

Em 1949, quando o Partido Comunista Chinês tomou o poder na China continental, a lei tornou-se mais rigorosa e o cerco foi fechado em torno das organizações criminais. Com a pressão do governo, a tríades migraram para Hong Kong, que ainda era uma colônia da Inglaterra. Segundo dados do governo chinês, o número de integrantes da máfia chinesa em 1950 era estimado em 300.000 membros apenas em Hong Kong.

Um ano depois, nove grupos dividiam o poder na cidade: Rung, Tung, Chuen, Wo Hop To, 14K, Luen, Shing, Sun Yee On e Wo Shing Wo. Cada uma dessas organizações contava com base de atividades própria e sistema de hierarquia social. Após os tumultos gerados pela máfia chinesa em 1956, o governo e a polícia de Hong Kong apresentaram um plano ainda mais rigoroso de punição e repressão aos foras-da-lei, diminuindo sua atividade.

Entre as práticas ilícitas das Tríades Chinesas está a exploração da prostituição. Estes grupos traficam mulheres do Sudeste da Ásia, da América do Sul e do Leste Europeu para a Europa Ocidental. Outras atividades que praticam são a movimentação de drogas ilícitas, contrabando de cigarros, de munições, organização de sequestros, homicídios, roubos, e jogos de azar.

Assim como em todas as máfias, as tríades conservam seus costumes antigos, punindo os discípulos deixando-os sem comer (pão e água), queimando-os e amputando seus dedos de pés e mãos. Dentro dos grupos, existem funções e hierarquias.

No nível 1 está o grande chefe, o “Cabeça de Dragão”, os responsáveis pelo ritual de iniciação dos novatos, “Mestres de Incenso” e os responsáveis pela pesquisa da vida do novo integrantes, “Patrulheiros do Vento”.

Figurando no nível 2, encontramos o “Leque de Papel Branco”, que faz o controle financeiro, o “Sandália de Palha”, que organiza encontros secretos, o “Bastão Vermelho”, mestre em artes marciais que cuida da defesa e do ataque. Já no terceiro nível, estão os membros mais comuns, “Sze Kau Tsai”, os chefes locais, “Cho Hun” e os calouros da máfia, “Lanternas Azuis”.

Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Triad_(underground_society)
http://www.domtotal.com/direito/pagina/detalhe/27626/principais-mafias-orientais-triades-e-yakuza