Características da Ciência Fática, segundo Mario Bunge

Licenciatura Plena em Química (Universidade de Cruz Alta, 2004)
Mestrado em Química Inorgânica (Universidade Federal de Santa Maria, 2007)

Bunge é argentino, nascido em Buenos Aires em 1919. Possui formação de PhD em Ciências Físico-Matemáticas pela Universidade Nacional de La Plata. Atuou como professor de física teórica em universidades na Argentina. Atualmente leciona disciplinas de filosofia na Universidade de Buenos Aires. Atua também em instituições de ensino canadenses. Seus conceitos principais na epistemologia das ciências são: verificabilidade, modelo teórico e modelo conceitual.

Desde o início de sua obra, Bunge preocupa-se em distinguir o que de fato é a ciência. Para tanto, considera a possibilidade da ciência ser classificada em duas vertentes: a Ciência Formal e a Ciência Fática. Enquanto a Ciência Formal necessita de uma lógica formal e possui uma demonstração completa em sentido final, a Ciência Fática apenas verifica hipóteses provisórias; é sempre provisória e incompleta.

Este texto visa apresentar algumas características, com base nos textos de Mario Bunge, referentes ao que o autor considera a Ciência Fática. Essas encontram-se não tal qual a redação original de Bunge, mas apresentam uma noção interpretativa no que se referem.

  1. O conhecimento científico é sempre fático, desde a sua essência.
  2. Deve transcender aos fatos, deve superar o aspecto quantitativo.
  3. A ciência deve ser analítica.
  4. A investigação científica é sempre especializada.
  5. O conhecimento científico deve ter caráter claro e preciso.
  6. Deve ser comunicável.
  7. Deve ser verificável, ou seja, deve apresentar reprodutibilidade.
  8. A pesquisa que gera o conhecimento, a pesquisa científica, deve ser metódica.
  9. O conhecimento científico é sistêmico.
  10. Da mesma forma, esse conhecimento deve ser geral.
  11. Também deve ser legal.
  12. A ciência, por natureza, é explicativa.
  13. O conhecimento científico é produtivo.
  14. A ciência é aberta.
  15. Do mesmo modo, a ciência, por natureza, deve ser útil.

Bunge apresenta argumentos que mencionam que um conhecimento científico deve partir de um modelo conceitual, passar por um modelo teórico (o qual utiliza a matemática e as suas leis) para finalmente convergir em um modelo maior, que fundamenta um conhecimento e o classifica como científico.

Com base na Ciência Fática, nota-se um elemento central que se refere à utilidade do conhecimento. Para Bunge, a ciência verdadeira deve ser útil, tanto para um país quanto para seus cidadãos, de modo a se estabelecer critérios de pesquisa que deixem claro este ponto de partida. Desde a busca por um conhecimento novo, uma pesquisa deve estar orientada para que possa melhor adaptar o ser humano ao seu contexto social, sendo, portanto, verdadeiramente útil.

Leia também:

Referências:
MOREIRA, Marco Antônio; MASSONI, Neusa Teresinha; Epistemologias do Século XX, EPU, São Paulo, 2011.

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