Epistemologia de Mayr

Licenciatura Plena em Química (Universidade de Cruz Alta, 2004)
Mestrado em Química Inorgânica (Universidade Federal de Santa Maria, 2007)

O termo epistemologia se refere ao estudo sobre a produção do conhecimento. Quando se menciona, no entanto, a epistemologia das ciências, se está abordando os pensadores que se preocuparam em investigar como se constrói um conhecimento de natureza científica. Dentre eles, Ernst Mayr recebe destaque neste texto.

Mayr era um típico biólogo evolucionista. Nasceu em 1904 na Alemanha e morreu em 2005 nos EUA, aos cem anos de idade. Lecionou por muitos anos em Harvard, onde se tornou muito conhecido nos meios acadêmicos americanos. Em 1942 publicou um livro intitulado Sistemas e Origens das Espécies, que o deixaria conhecido em todo o mundo. Essa obra fora considerada como uma das principais da Nova Síntese (uma fusão entre a teoria de seleção natural proposta por Darwin com a teoria genética de Mendel).

No campo da epistemologia da ciência, os principais conceitos atribuídos a Mayr são o fisicalismo e a biologia. Ambos são expressão uma resignação de Mayr em relação ao enorme prestígio recebido pelos físicos, bem como ao seu orgulho em pertencer ao campo da biologia.

Neste texto buscar-se-á propor um breve resumo sobre os principais conceitos em Mayr, não em sentido de resumo de toda sua obra ou resenha, mas em caráter pessoal de quem escreve, através dos itens abaixo:

  • Mayr sempre deixou claro que não aceitaria em nenhuma circunstância o que via como a arrogância dos físicos.
  • Denominada essa vertente de opinião como uma oposição ao fisicalismo.
  • De acordo com sua obra, o fisicalismo colocava a biologia em um patamar inferior à física, o que era abominado por ele.
  • A física não poderia jamais assumir um status de paradigma da ciência.
  • Critica desde sempre a busca por verdades universais para a ciência, abordando aspectos de uma nítida impossibilidade neste propósito.
  • Não aceita o reducionismo, ou seja, a explicação do todo pelas partes, nas ciências, particularmente, na biologia.
  • De acordo com Bunge, o todo assume um grau de completude que não o permite que seja compreendido por suas partes constituintes. Assim, o todo não seria apenas o somatório de suas partes, mas seria mais do que isso.
  • A ciência jamais poderá ser associada a uma ou mais verdades absolutas; a ciência não é estática, mas essencialmente dinâmica.
  • O dinamismo científico impera sobre qualquer tentativa de descrevê-la com simplicidade ou estagnação. Antes de tudo, o conhecimento científico é mutável e capaz de evoluir.

Referências:
MOREIRA, Marco Antônio; MASSONI, Neusa Teresinha; Epistemologias do Século XX, EPU, São Paulo, 2011.

Arquivado em: Ciências