A Mulher do Lado

O filme A Mulher do Lado, do cineasta François Truffaut, é um clássico do cinema francês, considerado um dos melhores trabalhos deste cineasta. Uma obra intensa, narrada com toques sutis. Considerado um adepto do amor, um diretor apaixonado, o francês narra uma história singela, bela e arrebatadora.

A Mulher do Lado

A Mulher do Lado

O enredo gira em torno de um casal que vive um relacionamento significativo, se separa, e anos depois se reencontra em um contexto inusitado. Bernard Coudray, protagonizado por Gerard Depardieu, vive ao lado da sua cônjuge, Arlette, vivida por Michélle Baumgartner, e de seu filho Thomas (Olivier Becquaert). Subitamente, porém, ele descobre que sua nova vizinha, Mathilde, esposa de Philippe Bauchard – respectivamente interpretados por Fanny Ardant e Henri Garcin -, é sua antiga amante.

Imediatamente a convivência entre os dois reacende a antiga chama da paixão e eles retomam clandestinamente o relacionamento interrompido no passado. A delicadeza da narração desta obra-prima de Truffaut contrasta com a dimensão trágica da história intensa deste casal que, passo a passo, refaz a mesma trajetória amorosa, com seus erros e acertos. Ambos descobrem que não conseguem sustentar o relacionamento, mas também são incapazes de ficar distantes um do outro.

A narrativa deste filme lembra os comentários das antigas encenações trágicas gregas, embora esta trama seja democraticamente direcionada para o público em geral, uma vez que Truffaut parte sempre do dia-a-dia das pessoas, que se reflete indubitavelmente na construção de seus personagens. Estes são similares aos protagonistas da existência que convivem conosco em nosso cotidiano, mesmo quando são interpretados por divas do cinema francês, como Fanny Ardant, Catherine Deneuve, Jeanne Moreau, entre outras.

Na essência o roteiro deste filme não peca pela originalidade, mas sua estrutura formal é completamente inusitada; a maneira incomum de contar uma história comum é típica do cinema praticado por este diretor subjetivo e passional. A atuação de Gerard Depardieu é impecável, e o desempenho de Fanny Ardant, ex-mulher do diretor, é fantástico, deixando o público completamente enfeitiçado por sua beleza e seu talento ímpar.

O desenrolar do enredo, em meio a uma atmosfera enigmática, só se compara em intensidade e contundência ao final do filme, completamente impactante. Truffaut imprime seu estilo distinto e delicado a cada cena desta película, mesmo quando seus personagens caminham no fio da navalha.

A Mulher do Lado, lançado em 1981, continua mais que nunca atual. François Truffaut soube sempre como trabalhar a paixão, desde as desventuras do protagonista da série Antoine Doinel, até filmes como Adele H. e O Homem que Amava as Mulheres. Ele retrata este sentimento sem nenhum traço de trivialidade, com elegância e suavidade.

Em sua obra maior, porém, Truffaut vai além da maestria atingida em seus antecessores. Os críticos afirmam que este foi seu último grande êxito cinematográfico. De Repente num Domingo, criação posterior, não obteve grande prestígio entre os amantes de seus filmes. Logo depois, aos 52 anos, o cineasta foi acometido por um inesperado tumor cerebral que lhe provocou a morte inesperada.

Fontes
http://www.terra.com.br/cinema/drama/femme.htm
http://ozlopesjr.multiply.com/reviews/item/24

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