Células Natural killer

Por Débora Carvalho Meldau
As células natural killer (termo oriundo do inglês Natural Killer Cell), também conhecidas como células exterminadoras naturais ou células NK são definidas como células citotóxicas não específicas que são importantes na resposta precoce às células tumorais e infecções virais.

As células NK são oriundas da medula óssea, linfócitos granulares grandes que correspondem a 5-15% das células mononucleares do sangue periférico. Possui tamanho ligeiramente maior que o do linfócito pequeno, e a presença do citoplasma granular abundante, permitem diferenciá-las do linfócito T. Comumente elas são referidas como linfócitos granulares grandes. Seu citoplasma, bem como o dos linfócitos T, é caracterizado por grânulos citotóxicos que contêm dois potentes mecanismos que medeiam a lise da célula-alvo.

As células NK e os linfócitos T expressam numerosas moléculas de superfície semelhantes e exterminam as células infectadas e as células neoplásicas por meio de mecanismos similares. Duas moléculas encontradas na membrana, CD16 e CD56, são comumente utilizadas para identificação das células NK. Estas últimas também expressam receptores em sua membrana.

Diferentemente dos linfócitos citotóxicos, as NK não são restritas por proteínas MHC (exibidas na superfície das células infectadas), são constitutivamente citolíticas e não desenvolvem células de memória. Por as células NK serem ativadas precocemente em uma resposta imune e não requererem sensibilização prévia para o desenvolvimento de células de memória após a sua ativação, elas são as células citotóxicas da imunidade inata, em contrapartida ao linfócito T citotóxico da resposta imune adaptativa.

Apesar de as células NK não expressarem nenhuma molécula específica para antígenos, elas são altamente eficientes em reconhecer e exterminar as células que apresentam alterações ou que estão infectadas por vírus.

As atividades das células NK são reguladas por meio da ativação e inibição das moléculas receptoras expressas em sua superfície celular. Essas moléculas receptoras de células NK são subdivididas em duas categorias diferentes: receptores NK tipo imunoglobulinas e receptores NK do tipo C, semelhante à lectina. Os ligantes para esses receptores são as moléculas encontradas na superfície celular cuja expressão sofreu alteração resultante da infecção ou da lesão.

Os ligantes para ativar os receptores que estimulam a atividade das células NK habitualmente incluem as proteínas virais e as induzidas por estresse. Os ligantes inibitórios que bloqueiam as atividades das células NK mais comumente envolvem as proteínas MHC de classe I. A reduzida expressão das moléculas de classe I torna as células susceptíveis à lise mediada por células NK. Uma redução na expressão de MHC classe I normalmente se dá nas células infectadas por vírus e nas células neoplásicas, tornando-as susceptíveis ao ataque das células NK. As células normais não são expostas à destruição pelas células NK porque todas as células nucleadas expressam moléculas MHC classe I.

As células NK também facilitam a resposta precoce às infecções virais, não apenas respondendo às citocinas produzidas precocemente durante uma infecção viral, mas também pela produção de citocinas que auxiliam diretamente a reposta imune.

Fontes:
Bases da Patologia em Veterinária – M. Donald McGavin e James F. Zachary. Editora Elsevier, ed. 4°, 2009.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Célula_exterminadora_natural
http://anatpat.unicamp.br/textolinfomasT.html