Guerra dos Dois Irmãos

Por Tiago Ferreira da Silva
Antes do espanhol Francisco Pizarro conquistar os Andes e grande parte da América Latina, os Incas dominaram a região durante séculos, fazendo prevalecer sua cultura centrada no imperialismo. Na primeira metade do século XV, a sociedade inca já dava claros sinais de queda, principalmente após os conflitos civis, dentre os quais se destacou a Guerra dos Dois Irmãos.

Huayna Capac

Tais guerras ocorriam graças à tirania e crueldade do imperador Huayna Capac, que decidiu dividir suas propriedades para os filhos Huascar e Atahualpa.

Huascar detinha as terras do Sul, com sede na cidade peruana de Cusco, e seu irmão Atahualpa era responsável pelos territórios do norte, com sede em Quito em homenagem à sua mãe, que era uma princesa daquela cidade.

Com o Império Inca dividido, o imperador esperava conter a rebeldia de seu povo. Entretanto, ocorreu o contrário. Quando Huayna pereceu, o povo estava absolutamente desgastado com seu método cruel de governar e os herdeiros, que deveriam atingir um consenso para governarem juntos em prol de sua sociedade, estavam preocupados em ampliar seus poderes individuais. Tal fato suscitou em um choque de interesses, que deu origem à Guerra dos Dois Irmãos.

Alguns estudiosos acreditam que Huascar teria seus poderes limitados se cuidasse apenas da região sul dos Andes, enquanto Atahualpa poderia expandir seu domínio com facilidade ao tomar conta de Quito. Sendo assim, Huascar exigiu que seu meio-irmão se dirigisse à Cusco, histórica cidade onde era centralizada o Império Inca, e lhe prestasse obediência.

Antes de partir para Cusco, Atahualpa foi alertado pelo seu exército de que poderia sofrer uma emboscada liderada por seu meio-irmão. Esperto, ele levou consigo alguns de seus homens e decidiu tomar o Império. Nesta batalha, cerca de cem mil pessoas morreram, pois muitas sociedades que pretendiam dizimar o domínio inca lutaram a favor de Atahualpa.

Com a conquista do Império, Atahualpa dirigiu-se à cidade de Cajamarca, no Peru, para checar um boato que afirmava que estrangeiros estariam invadindo suas terras com a pretensão de tomá-las. Ele foi com seus soldados e, lá, recebeu um convite do espanhol Francisco Pizarro para um jantar.

O jantar revelou-se uma grande armadilha para o imperador. Antes que os conflitos se iniciassem, o padre Vicente Valverde propôs que Atahualpa se convertesse ao cristianismo. Sem entender direito, o inca pegou a bíblia e arremessou-a no chão, deixando um claro sinal de aversão. Naquele momento, soldados espanhóis que estavam escondidos avançaram e derrotaram com facilidade os soldados inimigos.

Após a derrota, Atahualpa foi poupado e mantido na prisão. Mesmo assim, conseguiu ordenar alguns de seus homens a aniquilarem seu meio-irmão Huáscar, pois acreditava que ele fazia parte dessa conspiração.

Por ser imperador de uma sociedade poligâmica e ter mandado matar seu irmão e inúmeros outros guerreiros, ele foi condenado à morte segundo os preceitos cristãos. Mas, por ter um pouco de proximidade com Pizarro, Atahualpa teve uma pena mais leve e morreu enforcado, no ano de 1533.

Fontes:
http://educacao.uol.com.br/historia/imperio-inca.jhtm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Dois_Irm%C3%A3os
http://misteriosantigos.com/artigos/modules/smartsection/print.php?itemid=104
http://webnacionalistaecuador.4mg.com/shyris.htm