Revista Ilustrada



Por Antonio Gasparetto Junior
A Revista Ilustrada foi uma publicação de cunho republicano que começou a circular ainda durante o Brasil Império.

Dotada de publicação semanal, a Revista Ilustrada fazia circular cerca de quatro mil exemplares pelo Brasil tratando fatos políticos de forma satírica em suas oito páginas. O periódico manteve-se vivo por longos anos sem possuir nenhum tipo de patrocínio ou sem abrir espaços em suas páginas para propagandas, de forma que as fontes para sua auto reprodução estavam nos próprios exemplares vendidos. Todavia, a história da Revista Ilustrada passou por dois momentos distintos.

A Revista Ilustrada começou a circular no ano de 1876. Desde seu primeiro exemplar, o periódico era dirigido pelo ítalo-brasileiro Angelo Agostini e defendia ideais republicanos em suas páginas. Até a queda do regime imperial, a revista explorou em suas sátiras os questionamentos políticos e a defesa do abolicionismo. Porém, dois eventos alteraram a lógica da revista criada no Rio de Janeiro. O primeiro foi a Proclamação da República, que determinou a vitória política do que era defendido nas páginas da revista. O segundo foi a fuga do diretor Angelo Agostini com sua amante, o que demandou um novo coordenador do projeto. Assim, a segunda fase da Revista Ilustrada é caracterizada pela direção de outro artista caricaturista, Pereira Neto. A situação realmente mudou, pois o periódico que circulava semanalmente passou a ter edições em períodos incertos. Logo, a publicação perdeu espaço e a credibilidade que possuía para poder se sustentar. Angelo Agostini até retornou para a edição da revista, em 1895, mas tornou-se apenas um empregado de Pereira Neto. Já com pouco fôlego e sem a mesma repercussão do passado, a Revista Ilustrada deixou de ser publicada em 1898.

A Revista Ilustrada tem lugar de destaque na história da cultura brasileira. Em suas páginas foi publicada a primeira história em quadrinhos para o público infantil. As Aventuras de Zé Caipora entraram em circulação no ano de 1884, fazendo do personagem principal figura conhecida no Brasil. A Revista Ilustrada disputou espaço  acidamente com outro periódico chamado O Besouro. Este era dirigido pelo português Rafael Bordalo Pinheiro. Os dois diretores trocavam provocações em suas páginas. Os desentendimentos resultaram no fim da publicação d’O Besouro e no retorno de seu diretor português para sua terra natal.

A Revista Ilustrada abusava de questões políticas em suas publicações. O periódico logo ficou reconhecido por ser um ferrenho opositor da monarquia brasileira o do sistema escravista. O excesso de críticas feitas por Angelo Agostini foi um dos elementos que ajudaram na fragmentação da imagem pública do imperador Dom Pedro II. As caricaturas publicadas nas páginas da revista tinham grande repercussão na época. Mas a Proclamação da República faz com que o periódico perca seu sentido. Embora o Brasil tenha se transformado em uma República e a escravidão tenha chegado ao fim, não há grandes mudanças para o povo, com o qual a revista sempre foi cumplice. Assim, arrasta-se até interromper suas atividades por completo.

Fontes:
BARREIROS, Rubiana de Souza. Revista Ilustrada: romances e leitura no Brasil dos fins do século XIX.
http://encontro2008.rj.anpuh.org/resources/content/anais/1212974910_ARQUIVO_Revista_Ilustrada.pdf


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