Crisma

Por Ana Lucia Santana
Este sacramento, também chamado de ‘Confirmação’, é parte integrante dos rituais da Igreja Católica. Nele o cristão é consagrado pelo bispo com um óleo conhecido justamente como ‘Crisma’. No mundo oriental este rito é conhecido como ‘Crismação’, ou seja, consagração com crisma ou mýron. Ao lado do Batismo e da Eucaristia, também é concebido por esta instituição como um sacramento que inicia o fiel nos ritos eclesiásticos. Segundo o catolicismo, a fonte da Crisma é a tradicional imposição das mãos e, teologicamente falando, sua base é o Pentecostes. Ela é uma espécie de ratificação do Batismo e assim sendo, o Espírito Santo, na visão dos católicos, lhes concede na Crisma a fortaleza necessária para continuar exercitando sua fé, vencendo os obstáculos cotidianos e buscando a purificação espiritual.

Inicialmente o batismo e a crisma eram realizados juntos, em um único ritual. Mas, com o crescimento do Cristianismo e o surgimento de inúmeras comunidades, essa prática tornou-se inviável, e o Bispo foi obrigado a dividir suas tarefas com os padres, reservando para si o direito de outorgar a Crisma. Em um percurso inverso, os adeptos da cerimônia oriental preservaram a forma ancestral, na qual o próprio sacerdote que efetua o batismo já crisma o católico com o óleo sagrado pelo Bispo.

A substância utilizada neste sacramento é o Santo Crisma, ou seja, o óleo da oliveira, o mesmo do azeite, mesclado a um bálsamo perfumado e benzido pelo Bispo em uma cerimônia suntuosa, realizada na Quinta-feira Santa. Nas Instituições Orientais esta tarefa é realizada pelos Patriarcas. Durante o ritual, o Bispo impõe suas mãos sobre a cabeça de cada um, ao mesmo tempo em que o Diácono delineia o Sinal da Cruz com o Santo Óleo na testa do iniciante, enunciando as palavras correspondentes a este momento, ou seja, a Forma – “Eu te marco com o Sinal da Cruz e te confirmo com o Crisma da Salvação, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Na seqüência, o Bispo esboça um tapa bem leve na face do crismando, para designá-lo como soldado de Cristo.

Na Bíblia o óleo denota fartura e alegria, simbolizando a cura e a saúde, o aperfeiçoamento espiritual e a fortaleza. Através deste sacramento a pessoa é marcada com o selo do Espírito Santo, que, segundo o Catecismo, assinala a submissão completa a Jesus, mas igualmente a recepção da proteção de Deus nas provações contínuas. No caso de uma criança estar em risco de morte, deve ser crismada, seja qual for a sua idade, ato que pode ser consumado por qualquer sacerdote, nesta situação excepcional, mesmo sem consultar o Bispo, embora a Crisma não seja imprescindível para a salvação, apenas garantindo a proximidade de Deus no Céu. Mas, normalmente, a crisma ocorre quando se considera que a criança chegou à idade da razão.

A instituição deste sacramento não aparece nos Evangelhos, embora alguns católicos afirmem que sua base está presente nos Atos dos Apóstolos (Atos 8:14), mas na verdade ele é mais um dos dogmas da Igreja Católica, aceito como tal pelos fiéis. Ainda conforme a doutrina católica, o Espírito Santo concede algumas dádivas espirituais conhecidas como carismas, que visam o desenvolvimento não só pessoal, mas principalmente comunitário. Portanto entre estes dons estão os de ensinar, o do ministério, da exortação, entre outros, sempre objetivando a construção da Igreja.