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Evangelho de Judas

Durante toda a história do cristianismo o episódio, narrado nos evangelhos bíblicos, da traição de Judas que entregou o Salvador aos seus carrascos por trinta moedas foi tido como um episódio condenável. Desde então, Judas é sinônimo de traição vil guiada pela ganância, e até mesmo nos dicionários atuais a palavra Judas vem com o significado de “amigo falso” ou “traidor”. Mas há quem acredite que esta história pode mudar.

Um códice (tipo de livro que era feito na antiguidade com folhas de papiro) encontrado no Egito na década de 70, mas que só chegou a ser estudado e restaurado no final da década de 90, põe de cabeça para baixo toda a versão da história do homem que traiu Jesus com um beijo.

O códice traz uma versão nova da história contada sob o ponto de vista do próprio traidor. Nele, chamado de “Evangelho de Judas”, a traição não teria sido um ato condenável, mas um passo necessário para que Jesus pudesse se libertar de sua condição material.

O Evangelho de Judas, como é chamado desde o século I, data da primeira alusão ao texto apócrifo feita por São Irineu em seu livro “Contra as Heresias”, foi escrito, provavelmente, na mesma época que os textos canônicos: os evangelhos de Mateus, Lucas, Marcos e João, os únicos aceitos pela Igreja. O que chegou até nós foi uma transcrição do original, provavelmente em grego, na língua copta (língua antiga egípcia) manuscrita entre os séculos III e IV.

O códice, na verdade, é constituído por mais três outros textos: a “Epístola de Pedro a Filipe”, um documento que foi chamado pelos tradutores de “Alógeno” e o último referente a Tiago, o Justo.

Todo o códice, inclusive a parte intitulada “Evangelho de Judas” está escrito de acordo com a crença dos gnósticos, uma das diversas seitas consideradas heréticas do tempo de Cristo e condenadas por São Irineu em 180d.C.

Mas, o ponto mais marcante dessa descoberta é que ele traz uma versão da história segundo a qual Judas não teria traído Jesus, mas sim, feito o que ele pedira para libertá-lo. Os gnósticos acreditam que a vida terrena é maléfica e que o bem existe apenas em um nível espiritual. Segundo essa visão Judas, na verdade, teria sido a peça fundamental na libertação de Jesus e seu ato teria sido um ato de coragem e de demonstração de fidelidade, não traição. Segundo o evangelho, Judas teria sido ainda o único dos doze discípulos que teria compreendido inteiramente a mensagem de Cristo e, por isso, o único que poderia auxiliá-lo.

Sobre a autenticidade da descoberta não há mais dúvidas. Hoje o códice está sob a proteção da fundação Maecenas for Ancient Art (Mecenas para a Arte Antiga), uma fundação suíça, em sociedade com a National Geographic que teria pago cerca de US$1 milhão pelo direito de publicar exclusivamente a primeira tradução do códice.

Bibliografia

Livro: “O Evangelho Perdido”. Autor: Herbert Krosney
http://www.bbc.co.uk

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