José de Arimatéia

Por Ana Lucia Santana
José de Arimatéia, assim chamado por ser procedente da cidade de Arimatéia, localizada na Judéia, era discreto e oculto seguidor de Jesus, apesar de ser muito rico e pertencente ao Sinédrio, a mais elevada magistratura do povo hebraico. Este colegiado tinha o poder de condenar o Messias à morte, embora esta sentença exigisse a confirmação do procurador da Judéia, o que realmente ocorreu.

José, segundo os Evangelhos, era um ancião generoso e fiel, em seu coração, ao Mestre, que ele tanto admirava, mas ao qual receava seguir abertamente, pois temia a reação dos membros do Sinédrio. Portanto, ao lado de Nicodemos, também adepto deste colégio, não entrou em acordo com seus companheiros na condenação de Jesus. Embora não tivesse força nem poder para impedir a crucificação, ele e o amigo solicitaram a Pilatos que lhes permitissem retirar o corpo do Nazareno da cruz, para sepultá-lo no túmulo particular de José.

Entalhada no rochedo, hábito entre os hebreus, a sepultura estava localizada em um jardim nos domínios de José de Arimatéia, numa chapada situada no Gólgota, há pelo menos trinta metros do ponto no qual Jesus fora crucificado. Diz-se que o lençol tecido em linho, que envolveu o corpo do Messias, o qual se tornou célebre como o Santo Sudário, também era propriedade de José. Curiosamente, nos séculos XII-XI a.C., o corpo era sepultado com a cabeça voltada para o Leste e o restante direcionado para o Sul.

Como, logo depois da morte de Jesus, teria início o Sabá, durante o qual se observa o completo repouso, tudo teve que ser preparado rapidamente. Os amigos devotados do Nazareno temiam que ele fosse simplesmente jogado em uma vala comum, destinada aos criminosos, e assim providenciaram para que o Mestre tivesse um destino mais honroso, sem mais temerem a reação dos antigos amigos do Templo. Agora eles não escondem seus sentimentos, e assumem o Evangelho sem nenhum receio.

Os dois camaradas embalsamaram o corpo sagrado, envolvendo-o em mirra e aloé, substâncias perfumadas do Oriente, e depois de abandonarem o sepulcro, eles mesmos o selaram com uma pesada pedra plana. Depois deste episódio, os Evangelhos não mais se referem a este personagem, mas alguns pesquisadores afirmam que ele foi preso, durante algum tempo, pelos antigos companheiros do Sinédrio, em virtude de seu apoio a Jesus. Outros dizem que ele teria partido, junto com Filipe, seguidor do Messias, para a Gália, onde atualmente se localiza a França. De lá teria partido para a Britânia, como líder de uma expedição.

Dizem as lendas, principalmente as celtas, que José de Arimatéia teria levado consigo, ao partir de Jerusalém, a taça na qual Jesus teria bebido durante a Santa Ceia, que ficou conhecida como o Santo Graal, um dos personagens principais das histórias sobre o Rei Arthur. Posteriormente, ela teria desaparecido sem deixar vestígio algum, dando início à célebre busca do cálice sagrado. Este devotado amigo de Jesus é homenageado como santo, pela Igreja Católica, no dia 31 de agosto.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/José_de_Arimatéia
http://www.forumespirita.net/
http://www.geocities.com/lord_dri/b2/teste2.htm