Tarot

Por Ana Lucia Santana
O tarô (ou tarot) é um recurso que nos possibilita, através de um jogo de cartas, mais facilmente nos orientarmos em nosso processo de autoconhecimento. Por meio da simbologia das 78 cartas deste baralho francês, é mais viável para o indivíduo acessar seu inconsciente, repleto dos arquétipos que se refletem nas imagens deste jogo, que aponta caminhos do passado, do presente e futuro do Homem.

Seus símbolos e metáforas, impregnados de significados ocultos, também presentes nos rituais de iniciação espiritual realizados na Antiguidade, que através desta mesma simbologia secreta se defendiam das perseguições empreendidas pela Igreja Católica, prova uma possível existência do Tarô já nesta época remota. Alguns pesquisadores, porém, situam seu aparecimento entre os séculos XV e XVI, remontando talvez até o século XIV. Os que acreditam na sua ancestralidade atribuem sua origem aos egípcios, romanos ou indianos.

Sua disseminação através dos tempos pode ser atribuída à sua imagética, totalmente condizente com os mitos e arquétipos que habitam o inconsciente coletivo. Muitos vêem neste jogo um alfabeto cifrado que abre as portas do inconsciente para a compreensão de suas mensagens no âmago da consciência. É difícil precisar o significado desta expressão, seja em qual língua for, mas cabe a este baralho, com certeza, apontar um caminho renovado ou uma nova postura diante do objetivo em foco. Suas imagens estão essencialmente presentes na existência humana, daí seu poder sedutor sobre a Humanidade.

A Federação Francesa de Tarô estabeleceu as normas oficiais deste jogo, que é integrado por 78 cartas, conhecidas como arcanos, que tem a conotação de ‘mistérios ou segredos a serem desvendados’. Eles podem ser divididos em dois grupos principais – os Arcanos Maiores e os Arcanos Menores.

Os Arcanos Maiores revelam 22 arquétipos simbólicos que desvelam as idéias latentes e as probabilidades existenciais. São elas: o Mago, a Sacerdotisa ou Papisa, a Imperatriz, o Imperador, o Hierofante ou o Papa, os Enamorados, o Carro, a Justiça, o Eremita, a Roda da Fortuna, a Forca, o Enforcado, a Morte, a Temperança, o Diabo, a Torre, a Estrela, a Lua, o Sol, o Julgamento, o Mundo e o Louco.

Os Arcanos Menores exibem os frutos e o formato das idéias englobadas nos Arcanos Maiores. São 56 arcanos partilhados em quatro símbolos: o Naipe de Ouros, o Naipe de Espadas, o Naipe de Copas e o Naipe de Paus. Cada um destes naipes traz em si dez arcanos portadores de números e quatro arcanos com imagens da corte da Idade Média – Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei.

O naipe de Ouros está ligado à prosperidade material, às conquistas profissionais, à força de vontade e à disciplina, aplicadas para se obter êxito na vida intelectual e no trabalho; o de Espadas, conectado ao elemento ar, refere-se ao domínio da mente e do pensamento; o Naipe de Copas está ligado à esfera da água e, portanto, das emoções, tendo como símbolo o coração; e o de Paus, intimamente impregnado pelo fogo, pertence ao universo da criação.