Bhagavad-Gîtâ

Por Emerson Santiago
Chama-se Bhagavad-Gîtâ (também referido apenas como Gîtâ) um texto de 700 versos que compõe parte do épico Mahabharata, obra máxima da literatura indiana. Escrito originalmente em sânscrito, por volta de 200 a.C. e 200 d.C., o Gîtâ é considerado um dos mais sagrados e populares textos do hinduísmo, tendo influenciado irremediavelmente religiões como o budismo e o jainismo, além de escolas filosóficas como o samkhya e o yoga.

O Bhagavad-Gîtâ (Canto Divino, em sânscrito) traz as palavras de Vishnu na forma de seu avatar Krishna, que se apresenta no início como o charreteiro do príncipe Arjuna. O cenário do texto é a guerra de Kurukshetra (mencionada em mais detalhes em outras partes do Mahabharata) envolvendo Kauravas e Pandavas, duas famílias ligadas por parentesco que disputam o reino indo-ariano de Kuru. Antes do início do conflito, o príncipe Arjuna, do clã Pandava, sofre com o fato de lutar contra seus próprios parentes, o que constitui um enorme dilema moral, mesmo que estes estejam se comportando de modo despótico no poder.

Neste momento de grande inquietação psicológica Arjuna é interpelado pelo seu charreteiro, que revela ser Krishna e irá lembrar ao príncipe de seus deveres como nobre e guerreiro. A partir daí, Krishna vai explicar ao príncipe os segredos mais profundos da essência divina, tornando o texto bastante abstrato e hermético, no qual a mensagem principal que pode se extrair é o da necessidade de conectar-se a Deus em consciência nas atividades cotidianas, aceitando que Ele nos guie como instrumento de sua vontade. A obtenção da liberdade ou da alegria é atingida assim pelo domínio espiritual da consciência.

A grande maioria dos estudiosos do texto do Gîtâ entendem que a mensagem de Krishna a Arjuna é uma metáfora, na qual o objetivo é o de ensinar o ser humano a entender melhor a si próprio, e assim conseguir superar os obstáculos ao longo da existência terrena e vencer o Mal. O homem deve batalhar contra seus próprios medos, pois eles são apenas reflexão da falta de conhecimento da própria alma. Desse modo, alguns elementos presentes no livro seriam na verdade alegorias: a batalha de Kurukshetra representa na verdade os obstáculos experimentados pelo ser humano durante sua vida terrena, e que vez por outra causam medo e insegurança nos homens ao tentar transpor tal barreira. O charreteiro representaria, por sua vez, o corpo físico, que conduz a mente de acordo com os desígnios desta. Alegorias ou não, o Gîtâ, composto há vários séculos ainda se apresenta como um livro de riqueza imensa para todo o ser humano a despeito de sua religião, e uma fonte de sabedoria que consegue sobreviver de modo exemplar ao teste do tempo.

Bibliografia:
Bhagavad Gita. Disponível em <http://www.culturabrasil.org/bhagavadgita.htm>. Acesso em: 17 abr. 2012.

O Bhagavad-Gita - Introdução. Disponível em <http://www.casadobruxo.com.br/textos/gitaint.htm>. Acesso em: 17 abr. 2012.

The Bhagavad Gita Home Page(em inglês). Disponível em <http://www.hinduwebsite.com/gitaindex.asp>. Acesso em: 17 abr. 2012.