Charles Darwin no Rio de Janeiro

Por Fernando Rebouças
Charles Darwin nasceu em Shrewbury em 1809, aos 22 anos,em 1831, depois de se formar em Edinburgh e em Cambridge, iniciou a grande viagem de sua vida rumo à América do Sul, a bordo do HMS Beagle, viagem financiada pela Marinha Inglesa.

No dia 20 de fevereiro, a embarcação alcançou o arquipélago de Fernando de Noronha. Darwin descreveu o lugar da seguinte maneira:

“Tanto quanto pude observar, durante as poucas horas em que estive nesse lugar, a constituição dessa ilha é vulcânica, embora, provavelmente, não de época recente. A característica mais notável é uma colina cônica, de aproximadamente 1.000 pés de altura, cuja parte superior é extremamente íngreme e que se projeta sobre sua base, de um lado.”

Charles Darwin ainda observou a cobertura florestal da ilha que, em virtude da aridez do clima, não se tornou com aparência exuberante. Entre os dias 4 e 5 de abril de 1832, Darwin chegou ao Rio de Janeiro, resolveu acompanhar um inglês proprietário de Terras situadas ao norte de Cabo Frio. Num grupo de sete pessoas, cruzaram as montanhas atrás da Praia Grande (Niterói), Darwin sentiu admirado com a intensidade das cores do céu e das águas calmas da Baía de Guanabara. Depois de descortinar alguns campos cultivados, entrou numa floresta, passou por um vilarejo chamado Itacaia, e logo que a Lua surgiu foram em direção à Lagoa Maricá, onde pernoitariam. Nesse trecho haviam seguido à cavalo.

A estada utilizada emaranhava-se e atravessava uma área deserta de pântanos e lagunas. No dia 9 de abril, ainda seguiam pela estrada que atravessava uma planície estreita e arenosa, entre o mar e as lagunas salgadas habitadas por aves ribeirinhas (garças-reais e os grous), o ambiente ainda possuía a presença de árvores atrofiadas cobertas por plantas parasitas. Darwin e seu grupo ainda almoçariam em Mandetiba.

Porém, ao observar o modo das vendas encontradas no caminho, Darwin criticou a má educação de seus proprietários, a ausência de conforto, higiene e de utensílios como colher e garfos. Mas, sentiu-se bem recebido em Campos Novos, onde fartou-se com arroz, aves, biscoitos, vinho, peixe e café.

Em 14 de abril, Darwin e o seu grupo alcançaram o Rio Macaé, descrito como a última região cultivada, em sua observação, Charles Darwin ainda descreve:

“Levando-se em conta a vasta extensão do Brasil, a proporção de área cultivada é irrelevante comparada ao que resta em estado de natureza: no futuro, que imensa população esse país comportará.”

Em todo o resto de sua permanência no Rio de Janeiro, ainda conheceria outros vilarejos e cidades, na capital residiu num chalé na Baía de Botafogo. No Rio de Janeiro, limitou-se a observar os animais invertebrados, mais notadamente, o gênero Planária que encontraria em terra seca. Numa outra ocasião, partindo em direção à montanha da Gávea, penetrou no interior de uma floresta, numa altura de 500 ou 600 pés, onde pode observar uma visão panorâmica do Rio de Janeiro. Anos depois, em 1859, Charles Darwin publicaria a obra que o deixaria famoso no meio científico, “A Origem das Espécies”, considerada um suporte científico por filósofos e cientistas alemães e, posteriormente, de outros países, mas que também enfrentaria a oposição de outros teóricos.

Fontes:
Livro “O Beagle na América do Sul – Darwin, Charles. Ed. Paz e Terra. São Paulo. 1996.
Livro “Miranda Azevedo e o Darwinismo no Brasil” – Alves Ferreira Coccichio, Terezinha. Ed. Unesp e Ed. USP. São Paulo. 1988.

http://www.casadaciencia.ufrj.br/caminhosdedarwin/viagem.html