Conservação de Livros

Licenciatura Plena em Química (Universidade de Cruz Alta, 2004)
Mestrado em Química Inorgânica (Universidade Federal de Santa Maria, 2007)

O amarelamento ou o escurecimento observado em papéis antigos se deve, na maioria dos casos, a processos químicos de produção de ácidos nas fibras desses papéis. Esse é um problema sempre presente na rotina de bibliotecários, arquivistas ou curadores de museus. A perda de material antigo, como jornais, manuscritos históricos e livros raros se dá de modo muito intenso. Recentemente tem se investido muitos esforços na busca de melhores meios de preservação desses acervos raros, sem prejudicá-los e sem altos custos, inviabilizadores de procedimentos muitas vezes altamente necessários.

O composto atualmente empregado com esta finalidade é o dietilzinco, Zn(C2H5)2, sintetizado pela primeira vez em 1849 por Edward Frankland em 1849.

“No processo de preservação empregado pela biblioteca do Congresso Estadunidense, até nove mil livros são colocados em uma câmara. O ar é bombeado para fora e a câmara é enchida com nitrogênio puro a baixa pressão. É essencial remover todo o O2 presente, uma vez que o dietilzinco é altamente inflamável”1.

A etapa seguinte do processo é injetar o dietilzinco na câmara, o qual irá reagir com os íons de hidrogênio, responsáveis pela acidez, a neutralizando. Essa é a etapa inicial do processo. A equação pode ser vista abaixo:

Zn(C2H5)2  +  2H+  → Zn2+  +  2C2H6

Pode-se observar que cada mol do dietilzinco reage com dois mols de íon hidrogênio, resultando em um mol de zinco metálico e dois mols de etano.

O dietilzinco também reage com a umidade presente no papel, cuja equação é mostrada abaixo:

Zn(C2H5)2  +  H2O  → ZnO  +  2C2H6

Pode-se ver que cada mol do dietilzinco reage com um mol de água, resultando em óxido de zinco e dois mols de etano. O óxido de zinco formado (ZnO), irá neutralizar qualquer ácido que futuramente vier a se formar nas páginas de um livro, por exemplo, aumentando ainda mais a eficiência do método empregado. Esse material estará então por um longo tempo protegido e então estará fisicamente conservado.

“O excesso de dietilzinco e o etano formado na reação são bombeados para fora e a câmara é preenchida com nitrogênio e, posteriormente, com ar. Finalmente, os livros são retirados. Esse processo leva de três a cinco dias para cada remessa de livros. É um processo lento, porém assegura a durabilidade de muitos documentos e livros preciosos”1.

Atualmente tem se fabricado papeis alcalinos, os quais naturalmente irão neutralizar os ácidos gerados e, assim, terão um maior tempo de vida útil.

Referências:
1. RAYNER-CANHAN, T.; Descriptive Inorganic Chemistry, 4ed., Nova York, Freeman, 2006. p.603.
ATKINS, Peter; JONES, Loreta; Princípios de Química: questionando a vida moderna e o meio ambiente, Porto Alegre: Bookman, 2001.

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