Por Emerson Santiago |
No início as trocas se davam por meio do tradicional sistema de escambo, onde um objeto era trocado por outro considerado de valor similar, em geral algodão, açúcar e fumo. As poucas moedas eram cunhadas em Portugal. O governador Constantino Menelau, em 1614, determinou que o açúcar tivesse valor como moeda. Assim, 15 kg, ou uma arroba de açúcar branco foi fixado em 1.000 réis, o mascavo em 640 réis, e os de outras espécies em 320 réis.
As primeiras moedas cunhadas no Brasil surgiram durante o período de ocupação holandesa do nordeste. Eram de ouro ou prata, quadradas, (conhecidas pelos pesquisadores como obsidionais) feitas nos anos de 1645, 1646 e 1654, e tinham o valor de III, VI e XII florins. Traziam de um lado seu valor em algarismos romanos e o símbolo da Companhia das Índias Ocidentais (GWC) e do outro, as palavras "ANNO", "BRASIL" e um dos três anos de cunhagem já citados.
Somente 40 anos depois o Brasil voltaria a ter moeda própria, com a criação da primeira Casa da Moeda, em 1694, em Salvador. O primeiro padrão monetário adotado foi o real (plural "réis"), derivado do utilizado na época em que a Espanha dominou Portugal, o real hispano-americano, cunhado em Potosí, na Bolívia. As moedas eram de ouro ou prata, no valor de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis para as moedas de prata, e 1, 2 e 4 mil réis para as de ouro. Com a descoberta de ouro em Minas Gerais, ficou mais vantajoso transferir a Casa da Moeda para o Rio de Janeiro. Por volta de 1724 haviam três casas da moeda, uma na Bahia, outra no Rio e uma terceira em Vila Rica, que atuou até 1735. O Maranhão por um breve tempo mandou cunhar moeda diretamente de Portugal.
Em 1808, com a transferência da corte para o Brasil, é fundado o Banco do Brasil e inicia-se a impressão de papel-moeda. Com a independência, o país começa a sofrer com a desvalorização e sucessivas crises econômicas, agravadas pelo crônico esvaziamento dos cofres públicos. É mantido o padrão real, mas com a desvalorização, já não se usava mais o singular para a moeda, somente o plural "réis" e seus múltiplos. O padrão resiste ao Segundo Reinado, Primeira República (República Velha) e Governo Provisório de Getúlio Vargas, sendo finalmente "aposentado" em 1942 no período do Estado Novo pelo cruzeiro. Com um início promissor, em meio a uma economia que iniciava sua industrialização, o cruzeiro acaba por fracassar e em 1967 ocorre nova mudança, surgindo o cruzeiro novo, com uma valorização de 1000 por cento, ou seja, um corte de três zeros na moeda. Três anos depois, a moeda voltaria a chamar-se somente cruzeiro.
A moeda logo é corroída novamente pela inflação, e em 1984 surge o cruzado, com mais um corte de três zeros. Novamente, em 1989, a inflação atinge novos patamares e a moeda passa a ser o cruzado novo, com outro corte de três zeros. No ano seguinte, o novo presidente "ressuscita" o velho cruzeiro, que vai durar até 1993, com a criação do cruzeiro real, e novo corte de três zeros no seu valor. Em 1994, finalmente, o Plano Real estabelece uma moeda temporária, a URV (Unidade Referencial de Valor) como tentativa de apagar a memória inflacionária da população, criando novas referências para o valor da moeda. A URV prepara o caminho para o Real, que em meio a um plano de organização fiscal, permite ao Brasil ainda hoje experimentar um momento inédito de estabilidade monetária.
Bibliografia:
Catálogo das Moedas Brasileiras. Disponível em <http://www.moedasdobrasil.
| Data de publicação: Categorias: Curiosidades, Economia |
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