Mutus Liber

É conhecido pelo nome de Mutus Liber (em latim, "livro mudo") um tratado de alquimia publicado na França, na segunda metade do século XVII. Sem qualquer texto, composto apenas por uma coleção ordenada de ilustrações místicas, gravadas por um certo Altus (alto, em latim), seu objetivo era transmitir um método de fabricar a Pedra Filosofal, a chamada grande obra, mítico artefato de propriedades “mágicas”, capaz, entre outras coisas, de transformar cobre em ouro.

A primeira edição data de 1677 e foi feita na cidade francesa de La Rochelle, sob a direção de Pierre Savouret. Sua autoria permaneceu desconhecida por muito tempo, pois tal conteúdo esotérico poderia render ao "escritor" uma severa punição por lidar com temas pouco cristãos. Hoje é quase certo que a pessoa por trás do Mutus Liber seja Isaac Baulot, um boticário local filho de um cirurgião, pois, na última ilustração pode-se ler uma inscrição, em latim um pouco truncado "oculatus abis" (ao ver vossa partida), que seria um anagrama feito com as letras do nome do autor. De acordo com o pesquisador Jean Flouret, porém, o livro poderia ser o produto de uma pesquisa coletiva, obra de um certo grupo de filósofos.

O Mutus Liber é um grande clássico da alquimia, referência até mesmo fora do universo dos chamados textos herméticos pela qualidade iconográfica de suas pranchas, consideradas algumas das mais belas na história da alquimia. Ao contrário de outros livros de referência sobre o tema (como a "Tábua de Esmeralda", por exemplo), sua mensagem depende exclusivamente do entendimento das suas ilustrações enigmáficas. Elas oferecem detalhes sobre operações de laboratório, consideradas mais simples e claras que vários escritos alquímicos compostos somente de texto, cuja linguagem complexa deu origem à expressão “conteúdo hermético”. Nos vários desenhos de homens, mulheres, instrumentos de laboratório, deuses e deusas, animais e anjos estão expostas referências a um complexo sistema que engloba diversos campos do conhecimento humano. Este “sistema” conhecido como “filosofia hermética”, foi forjado durante séculos nas mais diversas regiões do globo em experiências no laboratório de alguns dos maiores sábios da humanidade.

Este é possivelmente o único livro conhecido, desde o apogeu da civilização egípcia, que tem por objetivo condensar a sabedoria hermética, como prática empírica e caminho espiritual, sem fazer uso da palavra. Aliás, o Mutus Liber é possivelmente o maior exemplo de uma obra baseada em uma linguagem discursivo hieroglífica, onde o todo é maior que a soma de suas partes e a imagem, não é colocada como mero coadjuvante, mas representa um papel central. Ao mesmo tempo, a interpretação das suas imagens rendeu inúmeras leituras e diversos comentários, algumas até de alquimistas eruditos contemporâneos, como Magophon (Pierre Dujols) e Eugène Canseliet.

Bibliografia:
Mutus Liber: O livro mudo alquímico. Disponível em: <http://andreiground.wordpress.com/category/mutus-liber/> Acesso em: 01 jun. 2012.
Alchemy: Mutus Liber (em inglês). Disponível em: <http://www.legends-and-myths.com/40_1.cfm?f=19-legends-myths-alchemy-mutus-liber> Acesso em: 01 jun. 2012.

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