Papiamento

Recebe o nome de papiamento a linguagem crioula falada nos territórios holandeses do caribe, mais precisamente nas maiores ilhas, Aruba, Bonaire e Curaçao. Nas outras ilhas menores, predomina o inglês, mas mesmo aí há alguma população imigrante das principais ilhas falantes desta linguagem fruto do comércio de escravos. O nome "papiamento" deriva do verbo da língua portuguesa "papear", assim como ocorre em outras línguas derivadas do português, como o "papiá kristang", falado em partes da Malásia e Cingapura, "papiá Tugu", hoje extinto, antes falado na Indonésia, e o "papiá macaísta" ainda falado em Macau, território da China.

De acordo com a legislação que entrou em vigor no final de 2010, houve mudanças substanciais na administração do caribe holandês. As Antilhas Holandesas foram extintas, e os territórios holandeses de ultramar agora estão assim organizados: Aruba (separada do grupo de ilhas desde 1986), Curaçao e Sint Maarten são agora "nações constituintes" da Holanda, ou seja, três partes do Reino da Holanda, sendo a quarta parte o próprio país europeu. As ilhas remancescentes (Bonaire, Saba e Sint Eustatius) formam agora o chamado "Caribe Holandês", denominado ainda de "Ilhas BES", pelas iniciais de cada uma, e constituem "municipalidades especiais" do Reino da Holanda. Assim, com este arranjo intrincado, o papiamento, que anteriormente já era adotado oficialmente há poucos anos nas Antilhas Holandesas (em Aruba, Bonaire e Curaçao) passa a ser oficial em três quartos do Reino da Holanda (Aruba, Curaçao e Holanda, esta última devido a Bonaire ser agora uma municipalidade especial da Holanda e ao mesmo tempo por Aruba e Curaçao serem agora componentes do reino holandês).

Durante muito tempo a falta de pesquisas em relação à origem desta linguagem levaram a várias teorias sobre o que seria realmente o papiamento. Hoje é quase consenso entre os pesquisadores linguistas que o papiamento teve origem nas várias linguagens crioulas derivadas do português que ainda hoje são faladas nas costas da África Ocidental e Central. No século XVII, quando a linguagem surgiu nas ilhas holandesas do caribe, boa parte do litoral da África subsaariana dominava bem ou mal a língua portuguesa, língua de comércio geral entre todos, europeus ou africanos. Ainda hoje, no Senegal, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, e anteriormente na Nigéria, no Benim, em Gana e na Costa do Marfim, variedades do português eram utilizadas correntemente para uma melhor comunicação entre os diferentes povos envolvidos no comércio escravagista.

É assim que, um ancestral da atual língua, o chamado "Guene" (termo que significa "vindo da Guiné) chegou ao caribe holandês e foi se tornando língua franca gradativamente. Ao mesmo tempo, ocorria a vinda de imigrantes judeus do recèm-extinto Brasil holandês, e a linguagem portuguesa destes foi se mesclando ao Guene, língua crioula africana de base portuguesa, dando origem à primeira forma do papiamento.

Mais tarde, com a maciça imigração, principalmente de venezuelanos, o papiamento no início do século XX começa a receber uma infusão cada vez maior da língua espanhola, a ponto de os primeiros estudiosos acreditarem que o papiamento se tratava de uma língua derivada do espanhol, ou uma mescla de inglês, holandês, espanhol, português e línguas africanas. O que acontece é que o papiamento tem suas raízes consolidadas em uma combinação de termos e construções portuguesas, africanas e judaicas. A infusão do espanhol, do holandês e do inglês e basicamente moderna, dando o formato atual da língua.

A semelhança, aliás, entre papiamento e as diversas linguagens crioulas de base portuguesa na África é ainda muito forte, ao ponto de permitir que um falante de papiamento tenha a capacidade de compreender cada uma das línguas crioulas africanas e vice-versa.

Bibliografia:
DE WIT, Bernadette . Papiamento e Crioulo. Disponível em <http://www.multiculturas.com/vb-emerson.htm>. Acesso em: 18 dez. 2011.

As Línguas. Disponível em <http://br.aruba.com/sobre-aruba/informacoes-sobre/as-linguas/>. Acesso em: 18 dez. 2011.

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