Pneu verde ou incurado

Licenciatura Plena em Química (Universidade de Cruz Alta, 2004)
Mestrado em Química Inorgânica (Universidade Federal de Santa Maria, 2007)

O processo de vulcanização foi descoberto por Charles Goodyear, em 1839, permitindo que a borracha natural passasse a ser utilizada industrialmente. A vulcanização da borracha consiste em aquecer a borracha, tanto a borracha sintética como a natural, com cerca de 3% de enxofre, na presença de um catalisador apropriado. Isso faz com que algumas ligações duplas se quebrem, e átomos de enxofre passem à molécula original, formado “pontes”, constituídas por um ou mais átomos de enxofre, as quais unem as várias cadeias do polímero. Uma borracha não vulcanizada é mole e se rompe facilmente quando distendida. Já a borracha vulcanizada torna-se bem mais resistente e volta ao estado normal quando cessa a força que a distende.

Mesmo após a descoberta da vulcanização, os pneus eram duros e se quebravam com grande facilidade. A solução surgiu alguns anos mais tarde, em 1846, quando Robert William Thomson criou a bolsa de ar sobre a qual os carros se deslocariam no futuro, o pneumático. “Tornava os pneus mais duráveis e resolvia de vez o problema da falta de conforto. Mas, por falta de matéria prima de qualidade, Thomson desistiu da ideia e passou a recobrir as rodas com aros de borracha maciça”1.

O processo de produção do pneu começa com a seleção de vários tipos de borrachas juntamente com óleos especiais, carbono preto, pigmentos, antioxidantes, silicone e outros aditivos que serão combinados para resolver os problemas apresentados e oferecer as características desejadas. Compostos diferentes são usados para diferentes partes do pneu. Uma máquina chamada Misturador Banburry transforma estas várias matérias primas para cada composto em uma mistura homogênea com a consistência da borracha.

Tem início então o processo da montagem do pneu. O primeiro componente a ir para a montagem é o perfil interno, uma borracha especial que é resistente à oxidação do ar e à penetração, e que possui a forma de um tubo interno. Depois vem a lona e a cinta, que geralmente são feitas de poliéster e aço. Lonas e cintas dão ao pneu as necessárias força e flexibilidade. As cintas são cortadas em ângulo preciso para atender às características desejadas. Fios de aço revestidos de bronze são colocados em dois arcos, os quais são implantados na parede lateral do pneu para formar o talão que irá assegurar o perfeito assentamento do pneu no aro.

A banda de rodagem e as paredes laterais são colocadas sobre as lonas e cintas e depois todas as partes são unidas firmemente. O resultado de tudo isto é chamado de pneu verde ou incurado. A última etapa é curar o pneu. O pneu verde é então colocado dentro de um molde e é inflado, de modo a pressioná-lo contra esse molde, formando assim o desenho da banda de rodagem e as informações na lateral do pneu. Depois o pneu é aquecido à temperatura de aproximadamente 100 °C por alguns minutos, vulcanizando-o para ligar todos os componentes e curar sua matéria prima: a borracha.

Referências:
1. Revista Quatro Rodas, maio de 2009.
PERUZZO e CANTO, Química na abordagem do cotidiano, vol.3 química orgânica, 2002.

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