Hidronefrose

Por Débora Carvalho Meldau
Hidronefrose consiste na dilatação e distensão da pelve renal, habitualmente resultante de uma interrupção do fluxo de urina oriunda do rim.

Normalmente, a urina deixa os rins a uma pressão muito baixa. Caso ocorra obstrução do fluxo da urina, esta reflui para os túbulos renais e para a região central de colheita (pelve renal ou pélvis renal), dilatando o rim e, consequentemente, causando pressão sobre seus tecidos. A pressão resultante de uma hidronefrose prolongada e grave leva, por fim, a uma lesão renal que interrompe gradativamente o funcionamento destes.

Frequentemente, a causa da hidronefrose é a obstrução da região de conexão entre o ureter e a pelve renal (união ureteropélvica), causada pelos seguintes motivos:

  • Anomalias na estrutura do aparelho urinário;
  • Torção na união ureteropélvica, devido a um deslocamento do rim;
  • Cálculos renais na pelve renal;
  • Compressão do ureter pro faixas fibrosas, ou por um vaso sanguíneo localizado anormalmente ou por um tumor;

Outras causas de hidronefrose compreendem as produzidas por uma interrupção abaixo da união ureteropélvica ou por refluxo da urina desta para a bexiga. Dentre as causas encontramos as seguintes:

  • Cálculo no ureter;
  • Tumores no ureter ou próximo a este;
  • Estenose do ureter em consequência de um defeito congênito, de uma lesão, de uma infecção, de radioterapia ou cirurgia;
  • Perturbações dos músculos ou dos nervos do ureter ou da bexiga;
  • Um urterocele, que consiste no deslizamento da extremidade inferior de um ureter para o interior da bexiga;
  • Neoplasia na bexiga, no colo uterino, na próstata ou em outras localidades pélvicas;
  • Uma obstrução que atravanque a passagem da urina da bexiga para a uretra;
  • Infecção urinária severa das vias urinárias que impossibilite temporariamente a contração do ureter.

É comum também o aparecimento desta afecção durante a gravidez, pois o útero aumentado pode comprimir o ureter. As alterações hormonais ocorridas durante a gestação podem agravar esse problema, pois diminuem as contrações dos ureteres que geralmente permitem a passagem da urina para a bexiga. Este tipo de hidronefrose habitualmente cessa ao fim da gestação, embora a pelve renal e os ureteres possam permanecer ligeiramente dilatados.

A conseqüência da distensão da pelve renal durante um longo período de tempo pode ser uma lesão permanente, uma vez que a inibição por muito tempo das contrações musculares que permitem a passagem da urina dos ureteres para a bexiga leva a uma substituição do tecido muscular normal das paredes do ureter por um tecido fibroso não funcional.

As manifestações clínicas irão variar com a etiologia da obstrução. Quando a obstrução tem início súbito, que e o caso da hidronefrose aguda, gera uma cólica renal. Quando tem progressão lenta, a hidronefrose crônica, pode não gerar sintomas, ou então podem estar presentes ataques de dor surda no flanco do lado acometido. Ao exame físico, é possível que o médico perceba a presença de uma massa no flanco de um lactente ou de uma criança, principalmente quando o rim está bem aumentado de tamanho.

Aproximadamente 10% dos pacientes com hidronefrose apresentam hematúria (sangue na urina). As infecções das vias urinárias, com presença de pus na urina, febre e dor na região da bexiga ou do rim, são comuns. Quando se interrompe o fluxo normal da urina, pode haver a produção de cálculos. As análises sanguíneas podem evidenciar uma elevada concentração de uréia, que mostra que os rins não estão excretando quantidades suficientes desse componente da corrente sanguínea. Também podem estar presentes sintomas do trato gastrointestinal, como náuseas, êmese e dores abdominais. Caso esse processo não seja devidamente tratado, a hidronefrose resultará na insuficiência renal.

Várias técnicas são utilizadas no diagnóstico desta afecção. A ecografia pode oferecer imagens de boa qualidade do rim, dos ureteres e da bexiga, sendo especialmente útil em crianças. Através de uma urografia endovenosa, os rins podem ser radiografados após a administração de uma substância radiopaca no sangue. Pode-se também obter imagens radiográficas da bexiga e uretra após a substância radiopaca ter passado por todo o rim, ou então, por meio da introdução dessa substância nas vias urinárias através da uretra. A cistoscopia é utilizada para visualização direta do interior da bexiga.

O tratamento dessa afecção deve ser imediato. No caso da hidronefrose aguda, deve-se realizar a drenagem da urina que se acumulou acima do local de obstrução, quando houver redução da função renal, persistência da infecção ou dor renal intensa. Nos casos de obstrução completa, infecção severa ou presença de cálculos, recomenda-se introduzir um cateter temporário, ao lado do corpo, no interior da pelve renal, para fazer a drenagem da urina.

A correção da hidronefrose crônica é feito por meio da resolução ou eliminação da etiologia da obstrução urinária.

Se houver a presença de uma região estenosada ou anormal no ureter, esta pode ser extirpada por meio de cirurgia. Quando há a obstrução da união da união dos ureteres com a bexiga, pode ser feito o desprendimento cirúrgico dos ureteres, ligando-os, por conseguinte, a outra zona da bexiga.

Quando se trata de uma obstrução da uretra, a terapia pode envolver fármacos, cirurgia ou dilatação da uretra através de dilatadores. Podem ser necessários outros tratamentos nos casos de cálculos que impedem a passagem da urina.

Fontes:
http://www.manualmerck.net/?id=154&cn=1219
http://medworks1.tripod.com/Anatomia/hidronefrose.htm
http://km-stressnet.blogspot.com/2008/04/o-que-nefrose-nefrose-ou-sndroma.html
http://www.tuasaude.com/sintomas-hidronefrose/
http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/2648

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