Síndrome de Fournier

Por Débora Carvalho Meldau
A síndrome de Founier, também conhecida como gangrena de Founier, fasceíte necrosante ou síndrome de Mellené, caracteriza-se por uma infecção aguda dos tecidos moles do períneo, com presença de celulite necrotizante secundária e bactérias anaeróbicas ou gram-negativas, ou ambas.

Esta doença foi relatada pela primeira vez no ano de 1764 por Baurienne, e recebeu esse nome em homenagem ao urologista francês Jean Alfred Founier que descreveu com detalhes a síndrome em trabalhos publicados nos anos de 1863 e 1864.

Nesta afecção encontra-se presente endarterite obliterante, resultando em trombose vascular subcutânea e necrose tecidual. Esta última, por sua vez, secundária a isquemia local e efeito sinérgico das bactérias. A necrose acaba por favorecer a entrada desses microrganismos em áreas anteriormente estéreis.

A síndrome de Founier pode ser idiopática ou pode estar ligada a fatores predisponentes, como alcoolismo, diabetes mellitus, trauma mecânico, procedimentos cirúrgicos, pacientes imunossuprimidos, infecções do trato urinário ou perianais, dentre outros.

Anteriormente era descrita como uma afecção rara; todavia, hoje um fato aparentemente está colaborando para da incidência desta síndrome: o uso abusivo de antibióticos.

O quadro clínico evidencia edema e eritema escrotal doloroso súbito em pacientes sem qualquer queixa, escurecimento do tecido epitelial, progredindo para gangrena, com odor fétido e enfisema subcutâneo no local. Neste momento, ocorre uma melhora da dor, devido ao acometimento dos nervos, o que torna o quadro ainda mais complicado. O paciente também apresenta febre e um quadro grave de toxiinfecção, onde o paciente passa a apresentar náusea, vômito, taquipnéia e alterações mentais.

Ainda não se conhece o motivo da preferência pela região escrotal. Existem diversas hipóteses como: falta de higiene; menor circulação de ar; pregas da pele que alojam bactérias que, por sua vez, penetram na pele após algum trauma; tecido celular subcutâneo muito frouxo facilitando a disseminação; edema em trauma ou pequenas infecções, impedindo que haja uma correta vascularização da região; tromboses extensas de vasos subcutâneos.

O tratamento baseia-se na utilização de antibióticos de amplo espectro, que atacam bactérias anaeróbicas e gram-negativas. O procedimento cirúrgico é indispensável, bem como o tratamento da etiologia quando há a evolução da doença. Outras terapias inclusas são a oxigenoterapia hiperbárica e os triglicerídeos de cadeia média, como, por exemplo, o óleo de girassol.

Fontes:
http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=2589&ReturnCatID=1746
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Fournier
http://www.acm.org.br/revista/pdf/artigos/666.pdf
http://www.sbcp.org.br/revista/nbr292/p197_202.htm
http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v36n2/v36n2a01.pdf

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