Traqueomalácia

Por Débora Carvalho Meldau
Traqueomalácia é uma condição que caracteriza-se por flacidez da cartilagem de suporte da traquéia, resultando no colapso traqueal, principalmente quando é necessário um aumento do volume respiratório.

Pode ter etiologia em diversas malformações congênitas, nas quais estão inclusas defeitos cardiovasculares, retardo do desenvolvimento, anomalias no esôfago e refluxo gastroesofágico; pode também ser resultado de processos difusos ou alterações localizadas, como anéis vasculares, artéria inominada anômala, atresia esofagiana e fístula traqueoesofágica. Nos casos de traqueomalácia adquirida, esta pode ser conseqüente de efeitos compressivos de tubos endotraqueais ou de traqueostomia, trauma torácico, traqueobronquite crônica e processos inflamatórios. Já foram observados também casos idiopáticos.

Esta afecção ocorre mais comumente no terço distal da traquéia. O comprometimento funcional é diretamente ligado à extensão comprometida e o grau de estenose.

As manifestações clínicas apresentadas pelas crianças com traqueomalácia são:

  • Respiração ruidosa (sons agudos relacionados à respiração, denominado estridor e estertores respiratórios), que torna-se mais intensa ao passo que a criança se desenvolve;
  • Dificuldade de se alimentar;
  • “Choro rouco”;
  • Afonia.

O diagnóstico inicia-se com uma minuciosa anamnese do paciente, analisando as possíveis etiologias adquiridas. Normalmente, o diagnóstico é confirmado por meio de broncoscopia ou cinefluoroscopia. Esta última, por sua vez, utiliza contraste esofagiano, sendo capaz de evidenciar colapso da parede traqueal devido a anomalias vasculares. Atualmente, pode ser feito também através da tomografia computadorizada multislice.

O exame radiográfico pode revelar hiperinsulação, exacerbado estreitamento do lúmen traqueal durante o processo de expiração, ou anormalidades vasculares, tais como arco aórtico duplo.

No geral, esta condição é benigna, havendo resolução espontânea do processo ao redor dos 18-24 meses de vida. Em todos os casos deve ser realizado o tratamento suporte, sendo que a maior parte responde positivamente ao tratamento conservador, por meio da umidificação do ar, fisioterapia torácica, dietoterapia cuidadosa e controle de infecções secundárias por meio do uso de antibióticos. Alguns estudiosos recomendam ainda lançar mão de assistência ventilatória com pressão positiva continua nas vias aéreas.

O tratamento cirúrgico é recomendado nos casos onde o tratamento conservador não é suficiente, com o paciente apresentando apnéia reflexa ou obstrução respiratória intermitente. A abordagem cirúrgica consiste em:

  • Correção da etiologia subjacente;
  • Traqueostomia: auxilia na manutenção da permeabilidade das vias aéreas durante o desenvolvimento da criança e fornece novamente integridade estrutural à traquéia.
  • Aortopexia: pode fornecer certo alívio da compressão traqueal; todavia, não é um procedimento livre de complicações.

Fontes:
http://adam.sertaoggi.com.br/encyclopedia/ency/article/001084.htm
http://adam.sertaoggi.com.br/encyclopedia/ency/article/001084trt.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Traqueomal%C3%A1cia
http://radiologiaclinica.com/radiologia_clinica/publicacoes.php?tipo=2&codigo=126
http://boasaude.uol.com.br/realce/emailorprint.cfm?id=15078&type=lib

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