Autoecologia

Por Caroline Faria
A Autoecologia é um dos dois grandes ramos em que pode ser dividida a Ecologia: autoecologia e sinecologia. O conceito surgido em 1910 no III Congresso Internacional de Botânica (Bruxelas) dividiu essa ciência em duas áreas que diferem entre si pela maneira como procuram entender os ecossistemas: a primeira, é “…experimental e indutiva.” e, a segunda, é “…filosófica e dedutiva.”. (CASSINI, 2005).

A partir dessa conceituação passou-se à definir o estudo das relações individuais de organismos ou espécies com os fatores ambientais (estudo de baixo para cima) como “Autoecologia” e o estudo das associações, ou inter-relações entre as populações e o meio (estudo de “cima para baixo”) como “Sinecologia”.

A Autoecologia é a forma clássica do estudo da Ecologia que, partindo de uma visão mecanicista (segundo a qual a única maneira de se compreender o todo é através do estudo das partes), oferece uma abordagem considerada bastante útil nos campos de pesquisa ao introduzir os conceitos de constância da relação de um organismo com o seu meio e da adaptabilidade genética das populações.

No entanto, a partir de 1926, com o surgimento da concepção holística começou a ser discutida a limitação inerente à autoecologia ao não possibilitar o entendimento das relações ou características emergentes de um determinado ecossistema.  Esse questionamento se baseia na ideia sintetizada por Bertalanffy (1968) na “Teoria Geral dos Sistemas”, segundo a qual alguns fenômenos ou características de qualquer tipo de organização resultam de determinado grau de complexidade dessa organização, surgindo como características totalmente novas e diferentes daquelas que compõem as partes de maneira isolada, sendo, portanto, infrutífera qualquer tentativa de se compreender tais características a partir de uma abordagem reducionista que não considere a organização como um todo. Isso significa, por exemplo, que para compreender fenômenos sociais é preciso ir além da simples compreensão das partes que a compõem (o indivíduo), pois, tais fenômenos não se explicam através da psicologia dos indivíduos.

Essa abordagem, porém, embora bastante revolucionária, é ainda incipiente. Desta forma, mesmo que o estudo das comunidades tenha sido reconhecido como o verdadeiro foco da ecologia, ele ainda se restringe, na maioria das vezes, somente à compilação de dados independentes sobre a fauna, a flora, os aspectos climáticos e outros  fatores do local estudado.

Desta forma, embora a autoecologia seja um conceito que já tenha suas limitações identificadas e comprovadas, é ainda uma abordagem bastante presente  nos estudos de ecologia.

Fontes:

NUCCI. J. C., Fundamentos da Ecologia. (Apostila do curso de Especialização em Educação, Meio Ambiente e Desenvolvimento – EA-903; Disciplina de fundamentos da ecologia.) Universidade Federal do Paraná (UFPR). Disponível em: http://www.geografia.ufpr.br/laboratorios/labs/arquivos/Fundamentos%20da%20Ecologia%20-%20Apostila.pdf . Acessado em: 06 de Out. De 2010.

CASSINI. S. T., Ecologia: conceitos fundamentais. (Texto preliminar para o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental - PPGEA UFES). Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Centro Tecnológico (CT). Vitória (ES), 2005. Disponível em: http://www.inf.ufes.br/~neyval/Gestao_ambiental/Tecnologias_Ambientais2005/Ecologia/CONC_BASICOS_ECOLOGIA_V1.pdf Acessado em: 06 de Out. De 2010.