Migração de Peixes

Por José Henrique Garcia
Por gerações o homem tem se admirado com a maravilhosa e deslumbrante migração sazonal e anual de diversas espécies de peixes ao redor de todo o globo. Os peixes em geral frequentemente podem viajar grandes distâncias, podendo com isto encontrar muitos obstáculos e predadores e mesmo assim no final desta incrível jornada sobrevivem e dão continuidade à vida de sua população.

Ao longo dos anos muitos pesquisadores tem desenvolvido muitas explicações, teorias e até superstições a respeito dos peixes migratórios. Porém estudos recentes e não tão recentes assim já explicam esse mecanismo dos peixes. Atualmente, o conhecimento sobre migrações tem se desenvolvido e sabe-se que o retorno anual de populações de peixes que é dependente de diversas variáveis ambientais e físicas.

Os primeiros estudos de migração de peixes no Brasil foram realizados na década de 50, onde foram realizados experimentos de marcação em larga escala e bem sucedidos. Para realizar estudos de migração e saber o comportamento das populações de peixes, o método de pesquisa mais utilizado é da marcação, constituindo em uma técnica essencial. Podem ser utilizados também transmissores de rádio, sendo que os primeiros foram utilizados em salmões no final da década de 50.

Atualmente também se utiliza técnicas de telemetria no monitoramento do deslocamento e na determinação de áreas utilizadas pelas espécies tem respondido as questões relacionadas aos padrões comportamentais em escala de tempo menor, otimizando não só os resultados como também os recursos destinados a esses estudos.

As migrações podem ser diárias, sazonais e anuais, e geralmente estão relacionadas com processos reprodutivos. Porém se sabe que também podem estar relacionadas com disponibilização de alimento, predação e proteção, além de se procurar locais mais apropriados para a fisiologia da espécie, como condições ideais de temperatura.

Os peixes migratórios podem ser classificados:

  • Potamódromos: São os peixes que vão realizar o processo de migração somente em ambientes de água doce;
  • Oceanódromos: Peixes que vão realizar processos de migração em ambientes de água salgada;
  • Diádromos: Peixes que realizam seu processo de migração em ambientes intermediários, que seriam aqueles entre água salgada e doce.
  • Anádromos: São aqueles que vão realizar o processo de migração do mar para ambientes de água doce. Porém os organismos vão ser eclodidos em ambiente salino e para realizar seu processo de reprodução migram para ambientes limnicos (água doce)
  • Catádromos: Peixes que vão realizar migrações dos locais onde nascem (água doce) e se reproduzir em ambientes de água salina.

Na região amazônica, ocorre o processo de migração para reprodução conhecido como piracema que na língua Tupi significa ''saída dos peixes para desova''. Quando os peixes detectam que o ambiente esta favorável, com condições abióticas boas para a reprodução estes iniciam o processo de deslocamento nos rios buscando áreas de desova, onde poderão realizar e desova. A fecundação dos peixes migratórios é externa, e a elevada concentração de machos e fêmeas aumenta a chance de fertilização no ambiente. Durante este processo, peixes migram cruzando diversos obstáculos como cachoeiras e predadores naturais.

O salmão é um dos peixes que mais se conhece os processos de migração. Este peixes realizam o processo de migração dos locais onde nascem (rios) e com um determinado tamanho vão em direção ao mar onde realizam o recrutamento com a população adulta, porém quando estão aptos a reprodução, conseguem identificar os locais onde nasceram com exatidão e voltam para desovar. Podem neste processo migrar por centenas de quilômetros.

Existem peixes que realizam migrações que pode durar meses. Uma espécie de enguia no oceano atlântico norte, migra para áreas de desova, onde larga os ovos fecundados no ambiente, e este é levado por correntes marinhas (grande giro do atlântico norte) durante alguns meses aos locais de favorecimento de eclosão onde a mortalidade é minimizada.

Referência:
Hahn, L. (2004). Padrões de migração de peixes no alto rio uruguai e Capacidade de Transposição de Obstáculos. UEM, Maringá, pp.13