Deterioração dos termos de troca

Por Emerson Santiago
Deterioração dos termos de troca é um termo surgido a partir do raciocínio de Raul Prebisch, economista argentino e um dos responsáveis pela condução da CEPAL (sigla para "Comissão Econômica para América Latina e Caribe", órgão criado a partir da ECOSOC, agência da ONU destinada a promover o desenvolvimento econômico das regiões consideradas subdesenvolvidas) na década de 50 e início da década de 60.

O termo empregado por Prebisch sintetiza a teoria do subdesenvolvimento elaborada no seu período na CEPAL, e bem aceita pelos países da América Latina, que tem como objetivo demonstrar os problemas enfrentados pelos países subdesenvolvidos em face de sua industrialização tardia. Dissertando sobre a condição da dependência econômica gerada pela relação de troca entre países, onde geralmente a maioria das nações marginais não possui a condição de incrementar as matérias primas obtidas em seu território, tal definição sintetiza de modo eficaz o esforço quase vão dos países pobres em vencer a desigualdade estabelecida no mercado mundial ante a desvalorização abismal de seus termos de troca, perpetuando assim uma situação de dependência econômica e subordinação às políticas dos países ricos.

Tais conceitos obtiveram grande recepção não só entre os governos, mas, no caso do Brasil, obteve popularidade também no meio empresarial, e pouco depois até mesmo no meio acadêmico, norteando durante um bom tempo as decisões econômicas estatais nas décadas de 50 e 60. Mesmo após o auge de sua obra, causa impressão entre os economistas em geral a influência da CEPAL de maneira tão indelével em muitas das economias latino-americanas.

O que diferenciava todo o estudo que engloba o conceito da deterioração dos termos de troca em meio à literatura econômica restante é o foco dispensado à condição desvantajosa a que estão relegadas as jovens economias latinas, um fato que por muito tempo os estudiosos dos países desenvolvidos desconsideravam em seus estudos. Em outras palavras, os países pobres do continente americano não possuíam um conjunto de estudos feitos exclusivamente para um melhor direcionamento de suas políticas econômicas. Os estudos elaborados eram todos destinados à condução da economia dos países ricos, considerando apenas seus pontos de vista e o modo como suas políticas financeiras estavam organizadas.

Assim, temos que toda a produção de um país subdesenvolvido já entrava no mercado em condições de "deterioração", pois, o valor atribuído internacionalmente a seus bens seria muito baixo. Seria necessário uma produção gigantesca, e um mercado maior ainda para que tais produtos "deteriorados" pudessem pagar a conta da importação dos bens manufaturados, industrializados e beneficiados pelas economias predominantes. É nesse sentido que está direcionado o estudo da CEPAL, reforçando aos países pobres, com economias frágeis, a necessidade de progresso, modernização e maior incremento dos produtos a serem exportados, adicionando aos mesmos um maior valor, de modo a captar maior renda no mercado.

Bibliografia
Deterioração dos termos de troca e a necessidade de agregar valor ao café. Disponível em http://www.agronline.com.br/artigos/artigo.php?id=195 . Acesso em 18/05/2011.

- COLISTETE, Renato Perim. O desenvolvimentismo cepalino: problemas teóricos e influências no Brasil. Disponível emhttp://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142001000100004 . Acesso em 18/05/2011.