O dinheiro como dívida

Por Emerson Santiago
Em qualquer economia capitalista saudável, é necessário haver a circulação de dinheiro, sob qualquer forma. Se este não circula, a economia entra em colapso imediatamente. Aliás, uma perfeita comparação pode ser feita entre o dinheiro e a importância do sangue que circula pelo corpo humano: é ele que irriga os vasos de todas as regiões do corpo, permitindo os movimentos, bem como o transporte dos alimentos através do corpo. Sangue parado é um problema. Assim opera o dinheiro, do mesmo modo, na economia de um país.

O problema é que, desde os tempos mais remotos, quando ainda se utilizavam penas ou conchas como meio de troca, nunca foi possível quantificar a totalidade de dinheiro que uma determinada economia possui. Com o surgimento da moeda, foi possível estabelecer referências, determinar valores e realizar trocas de modo mais fácil, mas ainda permanecemos ignorantes quanto ao montante da riqueza que temos à disposição para operar as trocas.

Ao contrário de muitas outras matérias ou commodities, o dinheiro não é um bem não renovável, tampouco há o perigo de que este venha a rarear no futuro, pois ele se trata, em grande parte, de uma criação, uma ficção originária da mente do homem, em especial nos dias de hoje, onde as trocas se operam de modo cada vez mais dinâmico, não havendo tempo para rastrear ou mapear o fluxo da moeda. A verdade é que muito do dinheiro e das trocas que realizamos todos os dias está baseada em uma ficção.

É graças a essa ficção, que por exemplo, os bancos podem existir. Se o dinheiro pode ser comparado ao sangue percorrendo o corpo humano, o banco bem pode ser o coração desse sistema capitalista, pois é ele a principal instituição responsável pela circulação de dinheiro, tão importante à economia. Uma economia sem bancos é necessariamente uma economia feudal, bastante primária.

Os bancos obtém lucro com seu serviço principalmente emprestando dinheiro e cobrando taxas para depósitos. Seu sucesso depende de que nunca ocorra a temida "corrida aos bancos", onde todo o cidadão, resolve, ao mesmo tempo, ir até ao banco para reaver seu depósito. O problema é que todo o dinheiro que ingressa no banco é movimentado (investido) de alguma forma, pois, o comportamento natural do ser humano é o de aplicar seu dinheiro naquela instituição e não tocá-lo por um bom tempo, garantindo assim o sucesso da empreitada bancária, com essa garantia de que as pessoas não irão tão cedo buscar o dinheiro depositado, dando tempo ao banco que realize empréstimos e investimentos com aquele dinheiro que lhe foi confiado. O governo, ciente do papel dos bancos na economia, permite que ele crie do nada uma determinada proporção de dinheiro referente à que se encontra depositada, tendo o dono do banco uma garantia do Banco Central do país da cobertura de suas operações dentro dos limites estabelecidos.

Desse modo, a todo momento, uma nova quantidade de dinheiro está sendo criada, e que não tem nenhum lastro, isto, é trata-se de uma moeda fiduciária, que possui a garantia nominal da solidez e da força da economia e do governo daquele país.

Assim, o papel-moeda utilizado todos os dias pelos cidadãos possui apenas uma "promessa" de troca por uma riqueza em espécie, não necessariamente disponível. Como o dinheiro precisa circular, e ele de fato está em circulação a todo momento, permanece intangível a quantidade real de riqueza aplicada na economia e que sustentam de modo concreto todas as trocas realizadas no planeta a todo momento, ainda mais com as operações bancárias que tratam de criar mais dinheiro constantemente, logo colocando-o para circular.

Assista à 5 vídeos didáticos sobre este assunto:

Bibliografia
Moonfire Studio/Lifeboat News. O Dinheiro Como Dívida. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=NoGZ3-CMzJg&feature=player_embedded . Acesso em: 26 ago. 2011.