Plano Dawes

Graduação em História (Universidade do Vale do Sapucaí, UNIVÁS, 2008)

O assim denominado Plano Dawes foi um plano econômico formulado pelos vencedores da Primeira Guerra Mundial, para regulamentar o pagamento das indenizações de guerra aplicadas à Alemanha ao final do conflito. Recebeu esse nome em homenagem a Charles Gates Dawes, financista e político americano, que chegou a ser vice presidente do país.

Ao fim da Primeira Guerra Mundial, era consenso entre os vencedores que os custos do conflito seriam pagos pelas chamadas “Potências Centrais” ou “Tríplice Aliança”, formado pelo Império Alemão, Império Austro Húngaro e Império Turco Otomano, o lado perdedor do conflito. Essa decisão foi oficializada pelo Tratado de Versalhes e aplicada logo após.

Fazia com que os alemães tivessem condições de pagar as dividas e manter economia funcionando.
Porém, em decorrência da Guerra, todo o continente sofreu pesadas perdas e o Império Alemão era o caso mais grave. A situação geral do continente europeu era bastante ruim, o que ocasionou uma crise generalizada. A indústria alemã havia sido praticamente destruída.

Além disso, o alto número de combatentes mortos ou feridos gravemente (mutilados e inválidos), sobretudo entre os homens em idade de trabalho foi um duro golpe na economia alemã, que então passa por uma crise forte de mão de obra.

Cumpre destacar também que, além de toda essa situação de falta de mão de obra e da destruição do parque industrial alemão, as regras aprovadas pelo Tratado de Versalhes deram origem a indenizações cujo valor estava muito acima do que a Alemanha poderia pagar. Assim sendo, o país não consegue organizar sua economia, reativar sua indústria e repor sua mão de obra e, em 1924, decreta moratória.

Nesse momento, a França, que já colecionava problemas com a Alemanha desde 1870 quando do processo de unificação do Estado Alemão e que tirou dos franceses uma porção de seus territórios, opôs-se a qualquer negociação ou flexibilização dos pagamentos devidos pelos alemães. Para garantir a pressão sobre o país, a França ocupa militarmente o vale do rio Ruhr, na fronteira entre ambos os países. Área rica em carvão e com um parque industrial bastante considerável, a região seria parte fundamental do esforço alemão para pagar as indenizações.

Nesse sentido, o Plano Dawes surge como uma iniciativa que tinha como objetivos garantir o pagamento da dívida alemã mediante a ajuda à economia do país, maiores prazos para o pagamento das parcelas, garantia de inviolabilidade do território e, ao mesmo tempo, mantinha a Alemanha longe da esfera de influência da União Soviética, que a essa altura, expandia sua influência pelo leste europeu em direção ao centro da Europa.

Em 1924, Itália, Estados Unidos, Bélgica, França e Reino Unido se reuniram e detalharam o plano de modo a facilitar e agilizar sua aplicação. A França então desocupa a região do Rio Ruhr e passa a respeitar a integridade do Estado Alemão. As parcelas são definidas de forma a custarem à Alemanha 1 bilhão de marcos nos pagamentos iniciais e, paulatinamente, esse valor subiria até cerca de 2,5 bilhões de marcos. Outra medida aprovada foi a supervisão das potências vencedoras sobre o Reichsbank, o banco que controlava a economia alemã.

Com isso, consegue-se estabilizar a economia alemã de modo que ela possa, gradualmente crescer e, ao mesmo tempo, cumprir suas obrigações internacionais.

Nesse momento, se soma ao Plano Dawes o chamado Plano Young, que diminuiria sensivelmente o valor das parcelas a serem pagas.

Isso ocasiona, na segunda metade da década de 20, uma considerável recuperação da economia alemã, a reativação gradual de seu parque industrial, o controle financeiro e a reposição da mão de obra, que tem um efeito positivo na economia alemã, que dá sinais de recuperação até o ano de 1929, quando a crise inciada com o Crash da Bolsa de Nova York atinge em cheio a economia mundial e põe abaixo o esforço alemão de reestruturação.

Bibliografia
http://www.dw.com/pt/a-rep%C3%BAblica-de-weimar/a-890198
https://www.wsws.org/pt/2009/sep2009/ptnb-s18.shtml